Vida saudável

O abuso crônico de bebidas alcoólicas é um dos maiores problemas de saúde pública do mundo, causando centenas de milhares de mortes prematuras, aumentando consideravelmente os gastos com saúde, além dos advindos da falta de produtividade do trabalhador.

Recentemente, a Organização Mundial de Saúde (OMS), mesmo enfrentando o lobby das indústrias de bebidas, afirmou a necessidade de criação de uma estratégia universal para prevenir o uso excessivo do álcool, visto que o consumo de tais bebidas vem aumentando de forma significativa, sendo nas Américas 50% superior à média mundial.

Segundo a Organização Panamericana de Saúde (OPAS), as Américas têm um consumo percapita de 8,7 litros, bem acima da média mundial que é de 6,2. Países industrializados e ricos, como o Canadá e os Estados Unidos, têm um elevado consumo percapita (9,3 litros), enquanto que os menos desenvolvidos possuem 11,2% de bebedores intensos e um consumo médio de 14,3 litros em adultos.

No continente americano, estima-se que em 2002, o álcool estava envolvido na morte de uma pessoa a cada dois minutos, sendo que pelo menos 69 mil tinham entre 15 e 29 anos.

Como está claro, os problemas médicos relacionados ao abuso do tóxico são muito graves, o que faz com que esforços sejam necessários para prevenir e tratar o alcoolismo. Dados indicam que apenas 15% dos alcoolistas procuram tratamento especializado, no entanto, os programas especializados para tal têm apresentados resultados modestos, com recidivas no primeiro ano em cerca de 50% dos pacientes.

Daí o porquê da necessidade de investigação de fármacos capazes de serem auxiliares úteis no acompanhamento psicossocial. O primeiro deles, foi o Dissulfiran, que provoca reações nocivas se ingerido com álcool (sensação de calor na face, que pode atingir outras áreas do corpo, dores de cabeça, náuseas, vômitos, fraqueza, dor no peito, falta de ar, palpitações, confusão mental, etc), sendo a droga mais comumente empregada.

Recentemente, uma equipe de pesquisadores norte-americanos divulgou os resultados de um estudo utilizando uma nova droga, um anticonvulsivante chamado Topiramato. Foram analisados 370 alcoolistas, dos quais uma parte tomou o medicamento e a outra uma substância inativa (placebo).

Os resultados do trabalho mostraram que aqueles pacientes que sofrem de dependência alcoólica e receberam o Topiramato consumiram menores quantidades do tóxico durante menos dias, em comparação aos componentes do outro grupo.

Como sempre acontece, alguns efeitos adversos surgiram, sendo os mais constantes a falta de apetite, sensações anormais na pele, alterações do gosto e dificuldade de concentração. Evidentemente que este estudo representa o passo inicial para determinar a real efetividade do medicamento, faltando ainda avaliar-se de forma definitiva a sua segurança. De qualquer forma, abre-se uma nova esperança para o tratamento de tão terrível doença.

Para finalizar, é preciso voltar a lembrar que o uso moderado de bebidas alcoólicas longe de ser um mal, poderá representar um fator de proteção à saúde. Em outras palavras, o já dito pelo poeta Ascenso Ferreira na quadrinha abaixo: “Branquinha, branquinha/É suco de cana/ Pouquinho é rainha/ Muitão é tirana”.
Autor: Luiz Carlos Diniz
OBID Fonte: Folha de Pernambuco – PE