Homens de 25 e 34 anos são os maiores fumantes

De acordo com o Ministério da Saúde (MS), a capital do Rio Grande do Norte registrava, em 2006, um índice de 18% de fumantes entre os homens de 45 a 54 anos. As mulheres nesta mesma faixa etária fumam mais (18,4%). A maior preocupação dos órgãos de saúde, no entanto, é com os homens mais jovens, de 25 a 34 anos – 21,2% deles são fumantes. Quase metade das pessoas (46%) só para de fumar a partir dos 65 anos.

A incidência de ex-fumantes após os 65 é maior no sexo masculino (64%), mas as mulheres costumam abandonar o vício um pouco mais cedo, entre os 55 e 64 anos.

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que em 2008 existam, a cada grupo de 100 mil pessoas, 160 novos casos de câncer de traquéia, de brônquio e de pulmão em homens do Rio Grande do Norte, provocados pelo uso do cigarro. Esse índice só perde para os casos de câncer de próstata e de estômago. Entre as mulheres potiguares, o número é um pouco menor, sendo estimados 110 casos para cada 100 mil pessoas – os casos mais comuns são os de câncer de mama e de colo do útero.

Grande parte dos fumantes se torna dependente da nicotina antes dos 19 anos de idade. É o caso do estudante Tobias Augusto, que aos 15 anos, por curiosidade, experimentou e nunca mais largou o cigarro. Hoje, aos 25 anos, diz que já sente alguns efeitos, como cansaço e garganta irritada. “Quando estou ansioso ou estressado, a vontade de tragar um cigarro aumenta muito. Sei todos os males que o cigarro pode me trazer, quero parar, mas ainda não fiz nem a primeira tentativa”, relata.

Assim como Tobias, o professor Alexandre Moura, 32, já fuma há muito tempo e ainda não conseguiu parar. “Comecei a fumar aos 17 anos porque achava que era um charme andar com um cigarro na mão. Hoje, 15 anos depois, percebo as conseqüências. Sinto um enorme cansaço ao subir um pequeno lance de escadas e também já tive problemas pulmonares. Tentei parar três vezes, mas não consigo largar o vício”, desabafa.

Além de causar dependência, a nicotina também provoca uma série de fatores que prejudicam a vida humana como, por exemplo, cansaço, asma, impotência sexual e cerca de 50 doenças diferentes, principalmente pulmonares e cardiovasculares.

Entretanto, não é somente o adulto que sofre com os problemas causados pela nicotina. A mulher grávida e fumante corre muito mais risco de sofrer abortos espontâneos, ter um bebê prematuro, apresentar complicações com a placenta durante o parto e ter uma criança com menor peso e comprimento. Um único cigarro fumado por uma gestante é capaz de acelerar os batimentos cardíacos do feto em poucos minutos.

A pedagoga Geisa Costa fumou durante 15 anos e parou há 20. “Quando engravidei, decidi que iria parar de fumar para sempre. Era injusto prejudicar a saúde da minha filha por um vício que era meu. Então, tive uma enorme força de vontade e comprei uns chicletes para ajudar nesse processo”, declara.

É importante lembrar que os fumantes passivos, ou seja, aqueles que convivem com os fumantes e freqüentam os ambientes poluídos pela fumaça do cigarro, também absorvem as substâncias tóxicas. Por essa razão, correm os mesmos riscos de saúde que os fumantes ativos. A Lei Federal 9294/96 proíbe fumar em ambientes fechados de uso coletivo, mas essa determinação não tem sido levada à risca.
Autor: Tribuna do Norte – RN
OBID Fonte: Tribuna do Norte – RN