Fumo traz prejuízo de R$ 398 milhões por ano

O cigarro custa muito pouco para o fumante, mas gera prejuízo muito alto para os cofres públicos. Em todo o mundo, o cigarro brasileiro é o sexto mais barato. Em contrapartida, estima-se que cerca de 8% dos gastos com internação e quimioterapia no Sistema Único de Saúde (SUS) são atribuídos às doenças relacionadas ao consumo de tabaco.

O prejuízo equivale a R$ 398 milhões por ano. “E outra coisa que você não pode mensurar é a dor de parentes ao perderem os entes queridos, por causa do cigarro”, destaca o pneumologista Ricardo Meireles.

“Qualquer investimento para controlar o tabagismo é muito menor do que o custo do tratamento das doenças relacionadas a ele”. Investir em prevenção e conscientizar a população de fumantes são caminhos a serem seguidos.

Para o pneumologista, é importante aumentar o preço do cigarro e combater o contrabando. “O preço do cigarro é muito barato. Além de ser barato, o tabaco ainda é contrabandeado. Queremos aumentar o preço e combater o contrabando. Quando se aumenta o preço, o consumo cai”, diz.

Para evitar o consumo, principalmente pelos mais jovens, o Inca tem realizado ações educativas, voltadas para prevenção, por meio de visitas às escolas e realização de palestras. Quase 90% dos fumantes regulares começam a fumar antes dos 18 anos. O dado leva a Organização Mundial da Saúde (OMS) a considerar o tabagismo uma doença pediátrica. Daí a importância de ações voltadas para este público.

Legislação
Ações para que os tabagistas deixem de fumar também são realizadas. O esforço pode ser percebido na legislação. A lei 9.294/1996 proíbe o consumo do tabaco em ambientes fechados, propondo a criação de fumódromos. “Recomenda-se que ambientes fechados sejam livres da fumaça do cigarro. A tendência é que não existam mais áreas para fumantes”, afirma Meireles.

Outra vitória citada por Meireles foi a lei 10.167/2000, que restringe a propaganda de cigarro apenas a pontos internos de venda, proibindo a propaganda de cigarro em rádios, jornais e revistas. “A propaganda é feita para atrair novos consumidores, os não fumantes”, explica, acrescentando que o Ministério da Saúde quer exatamente o contrário, evitar que o público de fumantes aumente. A mesma lei proíbe inclusive o patrocínio de eventos esportivos nacionais e culturais por fabricantes de cigarro.

De acordo com o médico, o resultado das ações está na diminuição da prevalência de fumantes no Brasil. Pesquisas realizadas em áreas urbanas e rurais mostram que a prevalência de fumantes na população adulta era de 34,8% em 1999 e passou para 22,4% em 2003.

Dados mais recentes, realizados em 2006, em todas as Capitais apontam a prevalência de 16,2%. “O cenário está mudando. As pessoas estão querendo parar de fumar. A gente acha que esse é um retrato de que as ações do Ministério da Saúde estão dando resultado”, disse Meireles.

Segundo ele, existem mais estudos visando à elaboração de novos medicamentos para o tratamento da dependência de nicotina. “Temos que tratar a prevenção ao mesmo tempo em que damos atendimento, conscientizando o fumante de que é preciso parar de fumar, e orientando o jovem a não começar a fumar”. Meireles acrescenta que, entre as ações, também é preciso estimular o fumante a ter uma vida saudável. (Lucinthya Gomes)

Fique de olho
O tabaco é uma das maiores ameaças à saúde pública que o mundo já enfrentou.

Existem mais de 1 bilhão de fumantes no mundo. Globalmente, o uso de produtos do tabaco está aumentando, embora esteja descrescendo em países cuja população tem alto poder aquisitivo. Quase metade das crianças do mundo respiram ar poluído pela fumaça do tabaco. Mais que 80% dos fumantes do mundo vivem em países cuja população tem entre baixo e médio poder aquisitivo.

O uso do tabaco mata 5,4 milhões de pessoas por ano – uma proporção de uma pessoa a cada seis segundos – e responde por uma morte a cada 10 adultos que morrem.

O tabaco mata mais da metade dos fumantes. É um fator de risco para seis das oito principais causas de morte no mundo. A pessoa demora vários anos para sentir as conseqüências do fumo, embora ele já esteja trazendo graves danos ao organismo.

100 milhões de mortes foram causadas pelo tabaco no século 20. Se essa tendência permanecer, haverá mais de um bilhão de mortes no século 21.

Sem o devido combate ao tabagismo, mortes associadas à utilização do cigarro aumentarão para mais de oito milhões por ano até 2030, e 80% de todas as mortes ocorrerão nos países em desenvolvimento.

Pesquisas comprovam que aproximadamente 47% de toda a população masculina e 12% da população feminina no mundo fuma. Nos países em desenvolvimento, os fumantes são 48% da população masculina e 7% da população feminina. Nos países desenvolvidos, a participação das mulheres mais do que triplica: 42% dos homens e 24% das mulheres têm o hábito de fumar.

No Brasil
No Brasil, 200 mil mortes anuais são causadas pelo tabagismo. A prevalência de fumantes maiores de 15 anos diminuiu de 32% para 19%, entre 1989 e 2003. Os homens apresentaram prevalências mais elevadas de fumantes do que as mulheres.

A concentração de fumantes é maior entre as pessoas com menos de oito anos de estudo do que entre pessoas com oito ou mais anos de estudo.

A OMS estima que cerca de 200 mil pessoas morrem todos os anos em decorrência de doenças ligadas à exposição ao cigarro em locais de trabalho.

Prejuízos do tabaco ao SUS
Cerca de 8% dos gastos com internação e quimioterapia no Sistema Único de Saúde (SUS) são atribuídos às doenças relacionadas ao consumo de tabaco. O prejuízo equivale a R$ 398 milhões por ano. O cigarro brasileiro é o 6º mais barato do mundo.

O baixo preço do cigarro estimula o consumo e facilita o acesso de crianças e adolescentes. Desta forma, é imprescindível o estabelecimento de uma política tributária que reflita no aumento de preços e impostos destes produtos, contribuindo para a redução da iniciação pelos jovens.
Autor: O Povo – CE
OBID Fonte: O Povo – CE