Pesquisa aponta que 90% aprovam Lei Seca em SP

Apesar de ter fechado o cerco até mesmo para aquela cervejinha depois do expediente, a lei seca é aprovada por 72,7% dos paulistanos. É o que aponta um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa do Grupo Estado (InformEstado), em parceria com o Instituto GPP, que ouviu 450 motoristas da capital paulista.

A maioria dos condutores é a favor das novas normas de trânsito e avalia, sem restrições, como positiva as punições mais rígidas estabelecidas para quem consome bebida alcoólica antes de pegar no volante. Se forem considerados os que apontaram ressalvas, mas concordam com a mudança na legislação, o índice de aprovação é ainda maior e chega a 90% de todos os entrevistados.

Os especialistas consideram que o grande alcance das tragédias no trânsito motivou os resultados. “É um problema que já bateu na porta de todo mundo. A coleção de vidas perdidas nas ruas inclui um primo, um amigo, filho ou conhecido”, observa o presidente da ONG Direção Preventiva, Sérgio Berti.

“A aprovação quase que total da lei reforça que já é de conhecimento público o estrago provocado pelo álcool. Os prejuízos são evidenciados diariamente. É uma resposta da sociedade, cansada de correr risco”, completa a psicóloga especializada em violência urbana da Universidade de Brasília (UnB) Maria Fátima Sudrack.

A percepção das conseqüências do beber e dirigir é o que pode explicar um outro dado encontrado na pesquisa do InformEstado. Até a parcela que confessou degustar algumas doses antes de conduzir os veículos (28,9% do total de entrevistados) é favorável à nova medida de trânsito. Dos infratores confessos, 57% aprovam a lei seca. “Esse grande apoio popular exige que a fiscalização se mostre. Precisamos acabar com a sensação de impunidade, a grande inimiga do comportamento seguro”, afirma o major da Polícia Militar Ricardo Fernandes de Barros, responsável pelas blitze na capital paulista.

Ainda segundo a pesquisa, 62% dos motoristas acreditam que a lei vai pegar. “Para esse número crescer, não podemos dar trégua nas operações de fiscalização. As pessoas só vão mudar de postura quando, além de conhecidos que morreram em acidentes provocados pela bebida, elas também passarem a conhecer condutores que foram presos ou multados por dirigir alcoolizados”, avalia o psiquiatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ronaldo Laranjeira.

O consultor em trânsito Horácio Figueira avalia que é preciso uma postura ofensiva da PM. “Precisa ter fiscalização todo dia, a qualquer hora. Não só apenas neste período inicial, que todos os olhos estão voltados para o assunto.”

Dúvidas

Mas a maior parte dos motoristas ainda tem muitas dúvidas sobre a lei seca. Na pesquisa do InformEstado, os entrevistados tiveram de responder se sabiam qual é o limite tolerável de álcool. Do total, 35,6% não sabiam o valor e 39,6% disseram o número errado, o que totaliza 75,2% de erros. Só 24,8% dos condutores souberam responder que o máximo permitido é de 0,1 miligrama por litro de ar expelido.

E a pesquisa revelou que poucos sabem que podem ser presos caso descumpram a lei. Menos da metade (48%) respondeu “prisão” para a pergunta “Qual é a punição para quem for pego pelo bafômetro?”.
Autor: Fernanda Aranda
OBID Fonte: O Estado de S. Paulo – SP