Fumante não entra

Na entrada, a 1900 Pizzeria avisa sobre a novidade. Alguns clientes trocaram de pizzaria, mas a maioria aprovou A placa barra o fumante na porta da 1900 Pizzeria, em São Paulo. Não há mais cinzeiros sobre as mesas. Cigarro, agora, só na calçada.

Até um dos donos tem de sair do escritório para fumar longe dali. É isso que a maioria dos clientes quer, assegura Erik Momo, o sócio não-fumante da casa. “Não estou mandando embora. Só queremos respeito no ar compartilhado por todos.”

No hotel Ibis Morumbi, primeiro 100% livre de tabaco da rede, só o hall de entrada tem cinzeiro. “Odor de cigarro fica impregnado em tudo: lençol, carpete, toalha de banho. Às vezes só tinta esconde o cheiro da parede”, diz o gerente Helio Gelinski. Ele conta que, em quarto com fumante, é comum o alarme de incêndio disparar e haver lençóis queimados, e as camareiras discutem sobre quem vai limpar a sujeira.

A aparente postura “espanta cliente” reflete uma tendência mundial. Na semana passada, os coffee shops holandeses, famosos por incluir maconha no cardápio, deixaram de aceitar baforadas de tabaco (a maconha continua permitida). Leis nacionais de Uruguai, Inglaterra, França, Portugal, Noruega e Irlanda também mandam a freguesia fumante para fora, mesmo no inverno. No Brasil, uma lei federal de 1996 já restringia o fumo em locais públicos ao fumódromos, que em tese são áreas isoladas e arejadas, mas na prática são espaços onde a fumaça circula facilmente. Agora, leis municipais tentam pôr ordem na casa.

No Rio de Janeiro, um decreto de 31 de maio proibiu o fumo até em varandas com janelas abertas – medida contestada pelo sindicato dos bares e restaurantes. Belo Horizonte, em Minas Gerais, e Florianópolis, em Santa Catarina, com o programa Floripa sem cigarro, tentam algo parecido. No Estado de São Paulo, o governo começou a dar um selo às empresas livres do fumo. Já foram concedidos 22 selos e 38 empresas estão na fila de espera. Entre elas, restaurantes, hotéis, escritórios e até unidades de saúde.

Numa pesquisa do Instituto Datafolha, 88% das pessoas apoiaram o fim do fumo em ambiente fechado. Numa enquete no site de ÉPOCA, 53% dos 6.439 internautas concordaram e 33% defenderam o fumo em varandas apenas se elas forem isoladas do ambiente interno. Para Paula Johns, diretora da Aliança de Controle do Tabagismo, a única saída eficaz é fumar em área externa, pois micropartículas de fumaça tóxica passam pelos canais de ventilação.
Autor: Viviane Pereira
OBID Fonte: Revista Época