Álcool motiva 90% das agressões domésticas

Nos primeiros seis meses deste ano a Delegacia da Mulher instaurou mais de 1,6 mil procedimentos, entre boletins de ocorrência e inquéritos policiais que apontam a mulher como vítima de agressão dentro de casa. No ano passado foram mais de 2,3 mil casos. Em 90% das situações, revela a delegada Cláudia Krüger, o álcool acaba sendo o combustível à violência doméstica. “É um problema de sanidade pública, há necessidade de se investir em programas de assistência social e existe carência de ações que possibilitem o acompanhamento às famílias”.

A delegada acrescenta que o problema do alcoolismo abala toda a estrutura familiar. “O exemplo dado em casa, pelos pais, acaba instigando não só a violência, mas o consumo precoce entre crianças e adolescentes, como tivemos o caso de um menino de 8 anos em coma alcoólico, por estar acompanhando o pai em um churrasco em casa”, relata. Cláudia destaca, ainda, que a relação álcool e violência afeta, hoje, todas as classes sociais. “As situações mais graves e que ocorrem nos lares de classe baixa acabam aparecendo com maior freqüência, e observamos que as soluções não serão encontradas no âmbito criminal, mas sim no social, e a aplicação da lei acaba sendo uma medida paliativa, pois a reincidência é grande”, acrescenta.

O Artigo 63 da Lei de Contravenções Penais, explica a delegada, prevê a punição aos comerciantes que servem bebida alcoólica às pessoas que já se encontram em visível estado de embriaguez. A pensa de detenção é de dois meses a um ano. “São válidas todas as ações que dificultem o acesso à bebida alcoólica, seja através de lei seca e da restrição de propaganda”, frisa.

O Pelotão de Trânsito da Polícia Militar notificou, no ano passado, 164 motoristas embriagados. Este ano já foram 51 multas emitidas. Nas estatísticas da Polícia Civil 62 motoristas foram autuados em flagrante por direção perigosa no primeiro semestre deste ano. Em 2007 foram 101 casos. “Em uma média flagramos um motorista embriagado a cada dois dias, porém esta estatística mostra apenas as situações que tiveram conseqüências”, calcula o tenente Fabian Borges Ogura, do 1º Batalhão da Polícia Militar.

De acordo com a tenente Natália Marangoni, relações públicas da PM, há necessidade de se investir em programas de prevenção. “Somente ações preventivas são eficientes, pois quando o caso chega a ter necessidade de interferência policial é porque não existe mais tolerância”, define.
Autor: JM News – PR
OBID Fonte: JM News – PR