Habilidades sociais e abuso de drogas em adolescentes

As autoras Marcia Fortes Wagner e Margareth da Silva Oliveira realizaram um estudo de revisão bibliográfica, elaborado a partir de uma pesquisa nas bases de dados Cochrane Library, Lilacs, Medline, Proquest, PsycINFO e Web of Science, no intervalo dos anos de 1996 a 2006. Foram analisados os descritores com as seguintes classificações: habilidades sociais, treinamento em habilidades sociais, assertividade, adolescentes, abuso de substâncias, drogas e maconha. Também foram avaliados livros e artigos que não se encontravam nas referências das fontes indexadas.

Dentre os 49 artigos selecionados pelas autoras, 16 referem-se à avaliação das habilidades sociais, enquanto 20 apresentam ênfase nos programas de intervenção relacionados à mudança comportamental voltada à prevenção, à redução ou à cessação do uso de substâncias psicoativas, através do treinamento de habilidades. Os demais 13 artigos referem-se aos aspectos teóricos do tema habilidades sociais no contexto de indivíduos que fazem uso de substâncias, tais como estudos de revisão sobre competência social, assertividade, déficits em habilidades sociais na adolescência e o uso de drogas.

A literatura revisada mostrou fortes evidências de que adolescentes abusadores e dependentes de substâncias psicoativas, em especial a maconha, podem apresentar déficits nas habilidades sociais. Outra constatação é que, além dos fatores psicológicos, existe a influência do grupo de pares. Nesse sentido, para ser aceito pelo grupo de iguais, o jovem se sente pressionado a ter o mesmo comportamento de uso de substâncias psicoativas, o que também pode expô-lo a muitos comportamentos de risco.

Porém, poucos estudos sobre habilidades sociais e uso de substância foram encontrados no Brasil, revelando que a produção em habilidades sociais é muito recente comparada à produção em outros países, como os de língua inglesa, que compõem o maior número, e espanhola.

Segundo as autoras, as pesquisas têm trazido dados preocupantes sobre o aumento do uso de substâncias psicoativas entre os adolescentes e reforça a necessidade de aprofundar a investigação nessa área. Inúmeros estudos vão ao encontro do que já se observa na prática clínica, em que muitas vezes os adolescentes abusadores e dependentes de drogas podem apresentar déficits em habilidades sociais, não conseguindo recusar a oferta de drogas para serem aceitos no grupo de iguais. As pesquisas mostram também que o desenvolvimento de habilidades de resistência ao oferecimento de drogas, auto-eficácia e tomada de decisões podem auxiliar na redução do comportamento de uso de substâncias psicoativas.

O estudo revelou, ainda, a necessidade de novas pesquisas no Brasil envolvendo esse tema, principalmente em populações clínicas, investigando a efetividade de programas preventivos ao uso de substâncias baseados no treinamento das habilidades sociais dos adolescentes.

Porém, para que seja possível a implementação de intervenções realmente eficientes na melhora dos déficits encontrados nesse quadro clínico, as autoras concluíram que é importante, inicialmente, a compreensão do papel do desempenho social nos transtornos por uso de substâncias. Dessa forma, pode haver a possibilidade da ocorrência de mudanças comportamentais consistentes relacionadas à diminuição e cessação do consumo.

Texto resumido pelo OBID a partir do artigo publicado na Revista Psicologia Clínica, volume 19, número 2, Rio de Janeiro (RJ), em dezembro de 2007:

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Autores: Marcia Fortes Wagner e Margareth da Silva Oliveira
Autor: OBID
OBID Fonte: Marcia Fortes Wagner e Margareth da Silva Oliveira