Teste confirma: mulheres são mais afetadas pelo álcool

Um teste feito com oito voluntários, de tipos físicos variados, para saber quantas horas de espera são necessárias para poder dirigir novamente após ingestão de bebida alcoólica, revelou que as mulheres são mais vulneráveis aos efeitos negativos do álcool.
Por serem mais leves e terem menos água no organismo do que os homens, o álcool no sangue delas fica mais concentrado.

Já os orientais também costumam sofrer mais com o álcool – eles podem ficar vermelhos e com mal-estar. Nos homens mais gordos, o nível de álcool no sangue cai mais rapidamente.

O teste foi feito para responder a dúvidas como: depois de beber, quantas horas de espera são necessárias para poder dirigir novamente? Como o corpo reage à bebida?
Homens e mulheres, gordos e magros, brancos, negros e orientais levam o mesmo tempo para eliminar o álcool do organismo? O Fantástico fez um teste com oito voluntários de tipos físicos variados.

O tatuador Gilberto “Tattoo” Campello, de 128 quilos, diz que bebe quando sai. “Geralmente eu saio de segunda a segunda, então, geralmente eu bebo todo dia”, calcula.
Os descendentes de japoneses Fernando Watanabe, universitário, e Claudio Ceni, fisioterapeuta, também fizeram o teste.

A professora de educação física Danielle Salemme também foi convidada, juntamente com o professor de gastronomia William Pereira. “Para voltar do barzinho, normalmente eu vou ou com a minha moto, ou com o carro da minha mãe. Dirijo legal depois”, diz Danielle.

A pedagoda Alcina dos Reis e um casal completam o grupo. O corretor de imóveis Carlos, popular “Bolinha”, tem 54 anos e pesa 110 quilos. Bebe em média de quatro a cinco cervejas todos os dias. Neide Gomes, mulher dele, é secretária e tem 45 anos. “Eu vou beber, não dirijo”, diz.

Encontro
O encontro aconteceu num restaurante de comida mineira, em São Paulo. Às 12h, eles estavam em jejum. Ninguém havia comido nem bebido nada. O bafômetro confirmou que não havia álcool no sangue. A experiência começou com uma taça de vinho para cada um antes do almoço.

Quando entra no organismo, o álcool, que é uma molécula bem pequena, passa rapidamente do aparelho digestivo para a corrente sangüínea. “Vai acabar chegando ao cérebro, onde ele modifica o jeito como cérebro funciona”, explica o especialista em dependência química Sergio Nicastri.

O sistema nervoso fica em câmera lenta. Há uma tendência a relaxamento, diminuição da ansiedade, da crítica, de censura, da desinibição. A capacidade de julgamento fica afetada. Inclusive a capacidade de a pessoa decidir se consegue ou não guiar. “Ela vai achar que está em condições de dirigir um carro. E talvez não esteja”, pondera Sergio Nicastri.

Meia hora depois da primeira taça de vinho, todo mundo sem comer, o bafômetro entra em ação. O teste começa com Neide. O bafômetro, importado, calcula automaticamente a concentração de álcool no sangue. Só que usa unidades diferentes das brasileiras, sem contar os zeros. O resultado da Neide é o mais alto: 11 decigramas de álcool por litro de sangue.

Com apenas uma taça de vinho, todos os voluntários sofreriam as punições da nova lei de trânsito, que é rigorosa. São liberados só os motoristas que tiverem menos de 2 decigramas – ou seja, dois décimos de grama – de álcool por litro de sangue. A partir de 2, e até 6 decigramas, multa de R$ 957, suspensão da carteira de motorista e retenção do carro. De 6 decigramas para cima, tudo isso mais pena de até três anos de prisão.
Além de Neide, Alcina, Danielle e Claudio atingiram mais que 6 decigramas. Se fossem pegos dirigindo, poderiam ir para a cadeia.

Resultados
Tudo o que acontece no teste tem acompanhamento médico do doutor Sérgio Duailibi, que é especialista da Universidade Federal de São Paulo em dependência química. “Os resultados maiores foram em mulheres e nas pessoas mais magras do sexo masculino”, disse.

As mulheres apresentaram, em média, o dobro da quantidade de álcool no sangue em relação aos homens. “A mulher, de um modo geral, é mais vulnerável aos efeitos negativos, aos efeitos tóxicos do álcool”, diz o especialista em dependência química Sergio Nicastri.

Normalmente, as mulheres são mais leves e têm menos água no organismo do que os homens. Assim, o álcool, no sangue delas, fica mais concentrado. Diferenças de enzimas e hormônios completam o quadro.

“Tudo isso se junta de uma certa maneira que torna a mulher mais desprotegida dos efeitos do álcool, na verdade”, atesta Sergio Nicastri. Os orientais também costumam sofrer mais com o álcool. Quando bebem, o organismo acumula uma substância tóxica chamada aldeído. Podem ficar vermelhos e com mal-estar.

Um novo teste foi feito, mas uma hora depois de beberem o vinho com barriga vazia. Os níveis de álcool caíram bastante – menos para Danielle, que marcou ainda 7 decigramas. “Definitivamente eu não posso dirigir, cara”, diz a professora de educação física.

Gilberto Tattoo e Carlos Bolinha, os mais pesados, zeraram o bafômetro. “O álcool não está no sangue porque está dissolvido na gordura”, explica o especialista em dependência química da Unifesp Sergio Duailibi.

Hora do almoço e da segunda parte do teste. Mais uma taça de vinho, só que agora acompanhada de farta comida mineira. Trinta minutos depois, de barriga cheia, os resultados são muito diferentes.

O bafômetro não detectou álcool no sangue de William, Fernando, Carlos Bolinha e Gilberto Tattoo. E Neide tinha apenas um décimo da quantidade que apresentou quando bebeu de estômago vazio.

A explicação é que uma comida com mais gordura, como a mineira, atrasa a absorção do álcool pelo organismo, como explica o professor Duailibi. “Interferindo, conseqüentemente, nos números apresentados no bafômetro”, diz. Meia hora mais tarde, a quantidade de álcool no sangue de todos os voluntários era insignificante.

O teste confirmou que as mulheres costumam ser as mais afetadas, e durante mais tempo, pelo álcool. Já nos homens mais gordos, o nível de álcool no sangue cai mais rapidamente. Mas, afinal, em quanto tempo a pessoa – qualquer pessoa – pode ter certeza de que está com zero de álcool no sangue?

“Se forem quantidades pequenas, com certeza após duas ou três horas já deve ter zerado no organismo. Quantidade pequena seria de um a dois copos de chope, uma taça de vinho ou uma dose de destilado de 50 ml”, aponta o especialista em dependência química Sergio Duailibi.
Autor: O Popular – GO
OBID Fonte: O Popular – GO