Indústria do fumo acusada de manipular mentol

NOVA YORK. Um estudo da Universidade de Harvard disse ontem que os fabricantes de cigarros americanos têm manipulado nos últimos anos a concentração de mentol. O objetivo é atrair jovens para o fumo e manter os fumantes adultos. O estudo deve aumentar a controvérsia sobre a presença de mentol em cigarros.

O estudo, realizado por pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, conclui que os fabricantes têm lançado marcas para “a população vulnerável”, de adolescentes e jovens adultos, “manipulando elementos sensoriais em cigarros, para promover a iniciação ao fumo e a dependência”.

A equipe de Harvard descobriu documentos da indústria mostrando que há anos ela sabia que o público jovem prefere níveis menores de mentol.
Porém, fumantes adultos tendem a preferir níveis elevados.
Os pesquisadores então realizaram análises em várias marcas de cigarro, para mostrar como os níveis de mentol mudaram com os anos.

Pessoas mais jovens, disse o estudo, toleram cigarros mentolados melhor que cigarros sem a substância. Em cigarros com baixo nível de mentol, a substância ajuda a mascarar efeitos desagradáveis do fumo, aumentando a chance de a pessoa se tornar fumante. Porém, à medida que o fumante se acostuma com o mentol, ele passa a preferir teores mais elevados da substância, ao passo que os jovens preferem níveis baixo, disseram os pesquisadores de Harvard.

“A indústria pesquisou como controlar os teores de mentol para aumentar as vendas entre grupos específicos”, afirmou o estudo. Um porta-voz da Philip Morris negou que os níveis de mentol tenham sido alterados para atrair jovens fumantes. Outros fabricantes americanos também negaram qualquer manipulação.

A pesquisa foi publicada na revista “American Journal of Public Health”.
Autor: Stephanie Saul
OBID Fonte: O Globo/New York Times