Cresce consumo de álcool entre estudantes da USP

Depois de quatro meses de pesquisa, para saber como anda o consumo de drogas no campus da USP de Ribeirão Preto – em investigação simultânea com outras universidades do Brasil, Chile, Colômbia, Peru e Honduras – os dados preliminares já foram consolidados.

A informação mais preocupante é que o consumo de álcool está em ascensão entre os estudantes na faixa dos 18 aos 24 anos de idade. Como contraponto, o consumo de maconha, cocaína e tabaco exibe um quadro mais conservador do que a média nacional.

– A gente queria investigar a percepção que eles têm do quanto os colegas usam. E a estimativa deles, em relação ao meio estudantil, com exceção do álcool, é sempre acima da realidade – explica a psicóloga Ana Maria Pimenta Carvalho, coordenadora da pesquisa e professora do departamento de Enfermagem Psiquiátrica e Ciências Humanas da Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto.

O estudo flagrou, segundo ela, uma juventude pouco preocupada com o perigo do consumo de drogas e álcool e com qualquer tipo de reflexão sobre a política universitária. O hábito social mais arraigado dos estudantes do campus – a indefectível “rave” ou balada das quintas-feiras – também preocupa “porque é o local mais propício para o consumo de todos os tipos de drogas”. As festas são promovidas fora do campus no meio da semana, porque sexta-feira é o dia de retorno para passar o fim de semana com a família. A maconha e a cocaína são mais consumidas na casa de amigos enquanto o tabaco é utilizado mais no campus e com a turma.

Álcool: consumo alto

Participaram da pesquisa 325 estudantes dos cursos de Enfermagem, Farmácia e Odontologia, com idades variando entre 18 e 24 anos de idade: 98,2% são solteiros; 96,3% não trabalham e 78,5% são do sexo feminino. O número de mulheres é maior, por causa do curso de Enfermagem – uma das três faculdades pesquisadas. Mas para efeito estatístico, nesse caso, não é computada diferença entre homens e mulheres.

Com relação ao consumo de álcool, 97,8% responderam que consumiram bebida alcoólica nos últimos 12 meses. Já 46% dos entrevistados disseram que ingeriram de uma a cinco doses (uma dose equivale a pouco menos que uma latinha de cerveja) nos últimos 30 dias; 7% consumiram 10 doses no mesmo período e 4% um total de 15 doses.

Em um ano, 38,8% consumiram álcool de uma a três vezes no mês, enquanto 37,2% de uma a três vezes na semana. No mesmo período, 69,8% disseram que ingeriram entre uma a cinco doses numa mesma ocasião.

– Esse pessoal que raramente bebe e resolve “encher a cara” numa só noite são os mais problemáticos, porque sobrecarregam e surpreendem o organismo em todos os sentidos – comentou a coordenadora da pesquisa.

41,6% dos pesquisados fumam
O tabaco vem em segundo lugar: 41,6% dos alunos ouvidos fizeram uso dele nos últimos 12 meses; já 11,6% consomem o tabaco de uma a três vezes num mês.
Apenas 0,2% dos entrevistados – 58 alunos – confirmaram o consumo de maconha nos últimos dozes meses; 8% deles uma vez ao ano e 2% dos entrevistados uma vez ao mês. O consumo relatado de cocaína entre os alunos da pesquisa é bem menor: durante os últimos doze meses, três alunos informaram o uso da droga, o que representa 0,01% do total dos entrevistados. Desses, 0,9% confirmaram o uso da cocaína uma vez em um ano.

Essa é a primeira pesquisa mais abrangente sobre o tema, no campus de Ribeirão Preto. Os dados serão contextualizados em conjunto com as pesquisas feitas em nove universidades de cinco países, totalizando 2100 universitários sob a supervisão da Comissão Interamericana de Controle do Abuso de Drogas da OEA e do centro de Adições e de Saúde Mental do Canadá.
Autor: Seção Especial
OBID Fonte: A Cidade – SP