Conscientização – Lei Seca ganha a sala de aula

Projeto envolve teoria e prática para conscientizar e sensibilizar os alunos sobre a importância de não misturar álcool e direção. Alunos participaram da construção do etilômetro (bafômetro), aparelho que permite determinar a concentração de álcool presente no sangue.

Todos os produtos utilizados foram pesados para garantir a precisão do experimento. Professor Júlio Alves Marques transfere os reagentes, entre eles cachaça, para o balão através de um funil. Estudantes se concentraram para que tudo saísse perfeito na experiência.

Desde que começou a vigorar, em 20 de junho, a Lei 11.705, batizada de Lei Seca, não sai da pauta das conversas informais e das manchetes dos jornais. A lei alterou diversos dispositivos do Código Brasileiro de Trânsito (lei nº 9.503/97), prevendo mais rigor contra motoristas que ingerirem bebidas alcoólicas. Para responder criminalmente, o limite é de 6 decigramas de álcool por litro de sangue, ou 0,3 miligrama por litro de ar expelido no etilômetro (mais conhecido como bafômetro) – equivalente a dois chopes. Para punições administrativas, a tolerância é menor: de 2 decigramas por litro de sangue, ou 0,1 miligrama por litro de ar expelido.

A discussão sobre a Lei Seca também ganhou a sala de aula, mais especificamente o Laboratório de Biotecnologia. Sob o comando do professor Júlio Alves Marques, cerca de 600 alunos do 1º e 2º anos do Ensino Médio do Colégio Maxi tiraram dúvidas sobre a nova lei – brechas legais, sanções previstas, o efeito do álcool no organismo, além de estudar o conceito de alcoolemia (quantidade de álcool no sangue) e o princípio do funcionamento de um etilômetro. Segundo Marques, o objetivo das aulas práticas intituladas “O álcool e a direção veicular jamais trilharão o mesmo caminho” é conscientizar e sensibilizar os alunos sobre os malefícios desta combinação perigosa, relacionada a 50% dos acidentes de trânsito no Brasil, justamente em uma época da vida em que a pessoa começa a se socializar e busca a auto-afirmação. “O adolescente bebe cada vez mais e, muitas vezes, a influência negativa vem da própria família. Quantos pais não acham normal oferecer bebida ao filho?”, questiona.

A aula prática 18 foi sobre a construção do etilômetro (bafômetro), aparelho que permite determinar a concentração de álcool presente no sangue do motorista, analisando o ar exalado de seus pulmões. O professor explicou que o princípio de detecção do grau alcoólico está fundamentado na avaliação de mudanças das características elétricas de um sensor sob os efeitos provocados pelos resíduos do álcool etílico no hálito do indivíduo. Para a experimentação Marques utilizou tubos de ensaio, béqueres, funil de vidro, balões elásticos, pipeta, conta-gotas e chumaços de algodão. Os reagentes foram água destilada, ácido sulfúrico, dicromato de potássio, nitrato de prata, vinho e cachaça (durante os experimentos não houve consumo de bebida alcoólica; os líquidos foram transferidos para os balões por meio de um funil).

Entre uma experiência e outra os alunos avançaram na discussão sobre a Lei Seca e o uso do etilômetro, lançando questionamentos sobre outras formas de verificar o índice de álcool no organismo do motorista, tempo de permanência do álcool no sangue, se a lei prevê punição para quem for flagrado com outra substância psicoativa no organismo e problemas de saúde relacionados ao abuso do álcool. Marques também enfatizou mudanças econômicas e comportamentais decorrentes da aplicação da Lei 11.705. “Já foram divulgadas estatísticas sobre a redução de mortes e feridos nas estradas; bares e restaurantes estão realizando convênio com companhias de táxi para desconto nas tarifas ou disponibilizando funcionários para levar o cliente até a casa dele em seu próprio carro; amigos fazem rodízio para definir quem não pode beber para dirigir depois da balada”, aponta. Durante a aula, o professor também desfez alguns ditos populares relacionados à bebida, tais como “quanto mais a pessoa bebe mais resistente fica”; “dirigir bêbado é melhor”.

Letícia Gonçales, 15 anos, acredita que com a nova lei os motoristas prestarão mais atenção às suas atitudes no trânsito. Sobre a relação álcool e adolescente, a estudante opina que a maioria bebe e não tem consciência dos danos que o álcool pode provocar com o passar do tempo. Para Paulo Henrique Campana, 14 anos, a Lei Seca é bem-vinda e já mostrou a sua eficiência por meio da redução no número de acidentes. Como os etilômetros não chegaram a Londrina, Ana Carolina Dias Tarli, 15 anos, exemplificou as mudanças introduzidas pela lei no comportamento dos curitibanos. “Passei alguns dias lá e percebi que as pessoas estão se programando antes de sair para beber. Muitos têm utilizado os serviços de táxi”, conta. Segundo a estudante, os jovens não costumam levar a sério os avisos sobre os prejuízos provocados pelo consumo de álcool. “Eles querem curtir o momento. Bebem e não se preocupam com as consequências”, adverte.

De acordo com o professor, o projeto prevê outras ações educativas relacionadas ao tema durante o ano. “Vamos convidar policiais, bombeiros, médicos, socorristas do Siate, para discutir os efeitos do álcool sobre a vida dos jovens. Os alunos também serão desafiados a produzir um filme de três minutos sobre os malefícios do álcool nas diferentes fases da vida”, informa. Marques acrescenta que os estudantes terão de estabelecer estratégias para envolver todo o colégio na discussão, que culminará com um grande debate envolvendo todos os que participaram do projeto.
Autor: Caroline Vicentini
OBID Fonte: Folha de Londrina – PR