Uso de álcool e drogas é a principal causa de internação

Em cada oito pacientes que dão entrada no Hospital Psiquiátrico Nina Rodrigues, quatro deles têm o álcool ou entorpecentes como causadores dos distúrbios sofridos. Desses, cerca de 20% conseguem ser reintegrados à sociedade.

Os dados mostram que, na atualidade, a bebida e a droga ocupam espaço cada vez maior no comprometimento da saúde mental do indivíduo, segundo profissionais da instituição. Entre as drogas mais recorrentes estão a maconha, a merla e o crack, havendo, ainda, a dependência em relação às mais diversas bebidas.

“Temos pacientes de todas as faixas etárias, mas prioritariamente de baixa condição social. Entre 10 deles, mais ou menos sete vêm do interior”, declarou o enfermeiro Paulo Neto. Segundo ele, o horário de maior demanda é entre 10h e meio dia. “Os internos por disfunções causadas por álcool e drogas são trazidos pela família ou, quando estão nas ruas, por ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), agentes da Prefeitura e mesmo pelo Corpo de Bombeiros”, detalhou.

Ainda segundo Neto, os sintomas apresentados pelos ingressos são os mais diversos. “Taquicardia, ansiedade, irritabilidade, alucinações, torpores, alterações repentinas de comportamento e psicoses estão entre os mais comuns. É importante lembrar que o álcool e as drogas afetam violentamente o sistema nervoso, podendo conduzir, em casos mais sérios, a graves disfunções mentais e/ou psicossomáticas ou agravar distúrbios mentais e psicossomáticos já presentes”, avaliou o enfermeiro.

Ao dar entrada no Hospital Nina Rodrigues, o paciente é avaliado por 72 horas na emergência. “Dependendo do resultado, ele pode fazer tratamento ambulatorial algumas vezes por mês à base de medicamentos, ser permanentemente internado na chamada “pensão protegida” (casos mais graves) ou encaminhado ao Centro de Assistência Psicossocial (Caps)”, explicou a coordenadora do Caps do Hospital Nina Rodrigues, Arlete Cutrim.”Eles passam o dia aqui e vão para casa à noite. O período de recuperação depende de cada caso”, completou ela.

Ressocialização

De acordo com a coordenadora do Centro de Assistência Psicossocial (Caps) do Hospital Nina Rodrigues, Arlete Cutrim, o centro é mais que um ambiente de acompanhamento do indivíduo. “É um instrumento para recuperar a integridade sociopsíquica do interno, por meio de atividades ressocializantes que beneficiam tanto a sociedade quanto o paciente”, observou ela.

Conforme informou a assessoria do Hospital Nina Rodrigues, há dois Caps em São Luís, um municipal e outro estadual. Dos cerca de 130 acompanhados pela unidade estadual, que funciona no Nina Rodrigues, 90% têm as drogas como causa dos problemas de saúde. “À medida que é feito o tratamento farmacológico, os pacientes cursam várias oficinas, como serigrafia, culinária, marcenaria, corte e costura, salão de beleza e outras”, informou o enfermeiro Paulo Neto.

José Augusto Viana, 40 anos e natural de Viana, disse que foi internado no Hospital Nina Rodrigues em 2001. “Eu fui usuário de maconha e merla por mais de 10 anos e bebia muito. Cheguei aqui em estado deplorável, sentia todo tipo de mal estar físico e psicológico, com alucinações e ansiedade”, lembrou. Segundo ele, o tratamento farmacológico durou nove meses. “Com o auxílio da terapia ressocializante, venci por completo o vício. Estou há sete anos muito bem, graças a Deus e sou funcionário daqui, ministrando oficinas de artes”, comemorou. José Augusto destacou que já fez exposições como artista plástico e tem procurado mais campo de trabalho no ofício
Autor: Editoria Cidades
OBID Fonte: O Estado do Maranhão – MA