Vícios são precoces

Juventude em perigo Estudo revela envolvimento de adolescentes das escolas públicas e privadas com cigarro e bebida.

Quase 10% dos adoscentes do sexo masculino começam a fumar entre 16 e 17 anos. Entre as garotas nesta faixa etária, o porcentual é ainda maior: 14,5%. O consumo de álcool, que como o fumo é um sério fator de risco para inúmeras doenças, especialmente cardiovasculares, também começa cedo. Mais de 8% dos adolescentes entre 14 e 15 anos ingerem álcool pelo menos uma vez por semana.

O estudo, que envolveu adolescentes de escolas públicas e privadas de Campinas observou que a média de idade da primeira experimentação ao álcool ocorre precocemente, aos 12 anos. Os dados foram apresentados pela Secretaria de Saúde de Campinas durante lançamento do livro “As dimensões da saúde: Inquérito populacional de Campinas”. A publicação é resultado de um inquérito sobre saúde realizado em 2001 e 2002 no Estado de São Paulo e que incluiu Campinas.

“Os dados apresentados no inquérito ajudam a definir as políticas públicas de enfrentamento dos problemas de saúde da população da cidade, de acordo com as diferentes realidades sócio-econômicas, educacionais e até religiosas”, explica a professora de Epidemiologia do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marilisa Berti de Azevedo Barros. A pesquisadora lembra ainda que o consumo maior ou menor de álcool e fumo, além de associados entre si, estão relacionados à escolaridade, prática de atividades físicas e condições sócio-econômicas. “A prevalência de fumantes entre os adolescentes que não ingerem álcool é muito menor (1,84%) que a dos que bebem”, diz Marilisa. Segundo ela, quanto maior a freqüência de ingestão de bebida alcóolica, maior a prevalência de fumantes.

COMO OS PAIS. O gerente de reciclagem Domingos Morge Dias, de 27 anos, conta que fuma desde os 17, e por influência dos pais, também fumantes. “Meus pais nunca se incomodaram por eu fumar. Meu pai, inclusive, comprava cigarros de cravo para mim”, diz Dias. Ele também admite que consome álcool, mas poucas vezes por semana, e que começou bem mais tarde. “Só comecei a beber a partir dos 21 anos”, resume. A adolescente R.M.F., de 16 anos e fumante, conta que aderiu ao hábito para acompanhar as amigas e não se sentir deslocada. “A maioria das minhas amigas fuma. Me sentia meio excluída por não fumar”, comenta. R.

Pesquisa inclui Campinas

O estudo multicêntrico de saúde (Projeto ISA-SP) foi realizado em alguns municípios do Estado (inclusive Campinas), entre 2001 e 2002, por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp-Botucatu) e Instituto de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Avaliou três pontos básicos.

Estilo de vida: hábito alimentar, qualidade da dieta, atividade física, tabagismo em adultos e adolescentes, e consumo e dependência de álcool.

Estado da saúde: abordando morbidade referida, obesidade, prevalência de obesidade na adolescência, transtorno mental comum, auto-avaliação da saúde (dimensões física, funcional e emocional), prevalência de deficiência física, acidentes e violências. Utilização dos serviços de saúde: uso de serviços de saúde, detecção precoce do câncer de mama e de colo de útero, vacinação contra influenza, uso de medicamentos.

O livro será distribuído gratuitamente nas unidades de saúde do município.

META

“O objetivo é comparar os dados e verificar onde as ações estão sendo ou não efetivas”

Marilisa Berti de Azevedo Barros professora de Epidemiologia da Unicamp
Autor: Delma Medeiros
OBID Fonte: Diário do Povo – Campinas – SP