Entrevista com Dr. Alberto Sabbag – Lei de tolerância zero ao comportamento de beber e dirigir

TEMA: “Lei de tolerância zero ao comportamento de beber e dirigir”

1. O que é a ABRAMET?

A ABRAMET é a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego. Congrega os especialistas em Medicina de Tráfego e demais profissionais que se interessem pela segurança de tráfego. É uma entidade médica sem fins lucrativos de promoção de pesquisas científicas e informações relativas à saúde do motorista e segurança de tráfego, que tem por suas ações realizar estudos capazes de contribuir tanto para a promoção da saúde como para a prevenção de acidentes no ambiente do trânsito, visando, como missão maior, a preservação da vida e a mitigação do sofrimento. Para maiores esclarecimentos sobre nossas ações, por favor, acesse nosso website (www.abramet.org.br).

2. Atualmente, qual tem sido o papel do “médico do tráfego” no controle do comportamento de “beber e dirigir”?

Historicamente essa questão tem merecido atenção especial do médico especialista em medicina de tráfego, tanto no momento da habilitação do condutor quanto durante a jornada realizada pelo mesmo. O tema tem sido freqüente em nossas publicações, congressos, aulas e campanhas e inibir esse comportamento de risco tem sido frequentemente cobrado de nossas autoridades e sociedade.

3. Qual é a concentração alcoólica sanguínea, que, de fato, já possibilita algum efeito motor ou cognitivo que dificulte a condução segura de veículos automotores?

Observa-se que alterações psicomotoras são precocemente mensuráveis em qualquer nível de alcoolização. O tempo de reação, o comportamento de risco assumido a partir da ingestão, o fator desinibidor (já representado por baixas doses), o estímulo à maior ingestão, a perda de senso crítico, as variáveis individuais e interpessoais, tudo leva-nos à conclusão de que não existe uma dose mínima sem risco.

4. De acordo com a nova lei, quais os procedimentos que o Sr. acredita que sejam necessários à diferenciação de condutores com concentração alcoólica sanguínea até 0,6 g/L daqueles com concentrações superiores, para que a devida punição seja aplicada corretamente a cada caso?

Desde que haja sinais de embriaguez (mesmo com doses abaixo do estabelecido), o comportamento de “beber e dirigir” caracteriza-se como crime de trânsito, principalmente pela provável associação com outras drogas. Desde que estabelecidas concentrações orgânicas já mensuráveis, dever-se-á utilizar equipamentos (sangue e ar expirado) à mensuração, além de Kits para drogas (suor, saliva), pois a Lei abrange também outras substâncias psicoativas.

5. Em sua opinião, quais os procedimentos que deverão ser tomados para garantir a efetividade dessa nova lei?

Aplicá-la, equipar as equipes de fiscalização, propagar a educação de trânsito em todos os níveis (inclusive o jurídico) e, finalmente, manter vigilância contínua sobre as conseqüências da implementação da lei (redução do número de acidentes e vigiar a relação mortalidade x pressão de grupos para que haja implantação da mesma).
Fonte:CISA – Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool