A interferência do sexo do universitário sobre o padrão de uso de álcool e sobre os problemas decorrentes de seu consumo.


Embora tem-se sugerido que o uso de álcool seja mais prevalente entre os homens (especialmente se considerados os segmentos sociais de jovens adultos e estudantes universitários), há evidências sobre a convergência de ambos os sexos quanto ao comportamento de beber. Além disso, há diferenças quanto às motivações subjacentes ao uso de álcool. Assim, conhecer a influência do gênero sobre o padrão de uso de álcool, entre os universitários, é tema relevante para a elaboração de estratégias de intervenção que sejam especificamente destinadas a esse segmento social.

Com esse intuito, 406 universitários (266 mulheres; idade média de 19,2 anos) provenientes de duas instituições de ensino superior (1 pública e 1 privada) participaram do estudo. Especificamente quanto ao consumo de álcool foram mensurados: (a) freqüência de uso nos últimos 30 dias (uso atual); (b) conseqüências negativas associadas ao consumo de álcool; (c) prevalência do padrão de uso do tipo “binge” (consumo de mais de 5 doses alcoólicas em seqüência, na última ocasião e dentro das últimas duas semanas); (d) freqüência de uso de álcool ou de outras substâncias para lidar com situações estressantes e (e) freqüência de uso de álcool para sentir-se “ligado”. Paralelamente, os participantes foram solicitados a responder um outro questionário para que fosse detectada a prevalência de sintomas depressivos entre os universitários.

Segundo os autores e conforme esperado, os universitários do sexo masculino beberam com mais freqüência, tiveram mais problemas devido ao uso de álcool e envolveram-se mais frequentemente em comportamentos do tipo “binge drinking”, beber para sentir-se “ligado” e usar outras substâncias para lidar com situações estressantes. Não houve diferença entre os sexos quanto à prevalência de sintomas depressivos. Para ambos os sexos houve uma correlação entre beber para sentir-se “ligado” e usar outras substâncias para lidar com situações estressantes com a freqüência do uso de álcool e especialmente com o padrão de consumo do tipo “binge”.

Enquanto entre as mulheres os problemas relacionados ao uso de álcool foram atribuídos à existência de sintomas depressivos prévios, entre os homens houve correlação entre a ocorrência de problemas e o comportamento de beber para ficar “ligado”. Assim, nas mulheres, os indicadores de problemas estão mais fortemente relacionados à esfera afetiva, e nos homens, os problemas associados ao consumo de álcool estão mais associados às motivações sociais de consumo.

Assim, de forma geral e conforme os autores, se tomados em conjunto, esses resultados deveriam ser considerados no aprimoramento das estratégias de intervenção/prevenção comumente voltadas a esse segmento social.

Título: Is gender relevant only for problem alcohol behaviors? An examination of correlates of alcohol use among college students.

Autores: Zaje A.T. Harrell e Nidal M. Karim

Fonte: Addictive Behaviors, 33: 359–365, 2008

IF.: 1,849
Fonte:CISA – Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool