Brasil economiza com Lei Seca ao volante

O que antes era expectativa, agora se confirma em números: a lei seca ao volante reduziu gastos e gerou economia para o Brasil. A diminuição de 13,6% dos acidentes fatais nas estradas federais permitiu que o país deixasse de gastar R$ 48,4 milhões nos últimos 60 dias. A comprovação é da Polícia Rodoviária Federal, com base nas estatísticas de dois meses de vigência da lei 11.705.

Entre 20 de junho e 20 de agosto de 2008, o número de acidentes com mortos caiu de 998 em 2007 para 862 em 2008. As autuações por embriaguez saltaram de 1.030 em 2007 para 1.839 neste ano. Desde a sanção das novas regras de combate à mistura álcool e direção, a PRF contabilizou 21.327 acidentes, 1.091 mortos e 12.174 feridos em 2008, contra 20.446 acidentes, 1.250 mortes e 12.384 feridos no ano passado.

Para contabilizar a economia proporcionada pela redução da violência nas estradas, a PRF utilizou fórmula do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), responsável pelo estudo “Impactos Sociais e Econômicos dos Acidentes de Trânsito nas Rodovias Brasileiras”. O relatório dividiu os custos referentes aos acidentes de trânsito em 40 componentes. Em linhas gerais, os valores são relacionados:

– às vítimas (traslado ou remoção, atendimento pré-hospitalar, internação e atendimento médico, despesas pós-hospitalares e perda de mão de obra produtiva);

– aos veículos (remoção e permanência nos pátios, danos materiais aos veículos e prejuízos referentes à carga);

– ao meio ambiente (danos à propriedade pública e privada);

– ao atendimento da Polícia Rodoviária Federal (deslocamento de equipe policial e de resgate, treinamento técnico e afastamento do agente da atividade-fim).

A base de dados da PRF sobre acidentes nas rodovias federais ocorridos nos últimos cinco anos permitiu que cada ocorrência fosse orçada de acordo com sua gravidade. Um acidente sem vítimas custa, em média, R$ 19 mil para o país. Com feridos, o valor sobe para R$ 96 mil. E o desastre que produz mortes acaba representando impacto de R$ 467 mil para a sociedade brasileira.

“São valores altos para qualquer economia mundial. Se o motorista brasileiro pensasse que a simples mudança de comportamento pode representar investimentos expressivos no bem-estar da sociedade, na infra-estrutura viária e no aparelhamento das polícias, teríamos números mais civilizados”, afirma o inspetor Hélio Cardoso Derenne, diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal.

Ponta do iceberg – O consumo de álcool ao volante é apenas uma das diversas facetas de exemplos de imprudência flagrados diariamente nas rodovias federais. As 125 mil multas por excesso de velocidade, registradas pela PRF no período, permitem constatar que a melhoria das condições de circulação têm incentivado o aumento da velocidade média nas estradas. Na tarde desta terça-feira (19/08), um acidente grave ocorrido na BR 381, município de Bonsucesso / MG, matou 14 trabalhadores rurais que voltavam de uma fazenda de café. Alguns motivos foram apontados como causadores do desastre: falha mecânica, má conservação veicular e excesso de velocidade. Não restam dúvidas, no entanto, que o trecho da rodovia oferecia pista dupla, bom asfalto, viadutos e canteiro central.

E a ingestão de bebidas alcoólicas continuou revelando absurdos. Um motorista de caminhão, envolvido em acidente de trânsito na BR 262, em Minas Gerais, foi reprovado no teste de alcoolemia após o etilômetro registrar 1,93 g de álcool / litro de ar. Esta quantidade é 19 vezes maior que o limite tolerado pela legislação brasileira. Na BR 163, em Mato Grosso do Sul, e na BR 060, em Goiás, outros dois condutores também acabaram flagrados por equipes de fiscalização com índices superiores a 1,9 g / l. Também em Minas Gerais, BR 153, o condutor de um veículo de passeio, reprovado no teste de alcoolemia com 1,75 g / l, precisou ser encaminhado a um posto de saúde após a abordagem.

Turma do contra – A observação dos testes de alcoolemia realizados pela Polícia Rodoviária Federal trouxeram informações importantes. O fato mais relevante está na quantidade de motoristas que se negaram a soprar o etilômetro. Tanto em 2007 quanto em 2008, o percentual de recusas se manteve estável na casa de 18%. “Independentemente das regras, sejam brandas ou rígidas, a Polícia Rodoviária Federal atestou que existe uma parcela definida da sociedade que não concorda com o teste sob nenhuma hipótese”, explica o Inspetor Hélio Derenne. “Mesmo quando não havia punição para quem se recusasse a soprar, já existia a turma do contra. Para este grupo, a responsabilidade sobre a segurança no trânsito é apenas do Estado e sempre vão reclamar quando tiverem que dar sua parcela de contribuição”, conclui.

Ocorrências Rodoviárias

(20 de junho a 19 de agosto)

2007

Acidentes: 20.446

Feridos: 12.384

Mortos: 1.250

Acidentes com morto: 998

Acidentes com ferido: 7.358

Acidentes sem vítima: 12.090

Pessoas socorridas: 2.680

Crimes de trânsito: 1.003

Veículos fiscalizados: 1.094.048

2008

Acidentes: 21.327

Feridos: 12.174

Mortos: 1.091

Acidentes com morto: 862

Acidentes com ferido: 7.303

Acidentes sem vítima: 13.162

Pessoas socorridas: 2.571

Crimes de trânsito: 1.893

Veículos fiscalizados: 1.021.671

Porcentagem

Acidentes: 4,3%

Feridos: -1,7%

Mortos: -12,7%

Acidentes com mortos: -13,6%

Acidentes com feridos: -0,7

Acidentes sem vítima: 8,9%

Pessoas socorridas: -4,1%

Crimes de trânsito: 88,7%

Veículos fiscalizados: -6,6%

Fonte: Central de Informações Operacionais / DPRF / MJ

Custo individual das ocorrências rodoviárias

(valores atualizados em 31 de julho de 2008)

Natureza do acidente

Acidente sem vítima

Custo: R$ 19.000

Acidente com ferido

Custo: R$ 96.000

Acidente com morto

Custo: R$ 467.000

Fonte: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República

Flagrantes de infrações de trânsito por tipo

(de 20 de junho a 19 de agosto)

2007

Tipo de infração

Excesso de velocidade: 118.903

Ultrapassagem proibida: 31.822

Documentação vencida: 8.858

Falta do cinto de segurança: 7.492

Embriaguêz: 1.030

*Prisões por embriaguêz: 0

*Não sopraram o bafômetro: 186 ( 18,1% dos testes)

Total: 298.771

2008

Tipo de infração

Excesso de velocidade: 125.591

Ultrapassagem proibida: 34.271

Documentação vencida: 11.497

Falta de cinto de segurança: 10.069

Embriaguêz: 1.839

*Prisões por embriaguêz: 1.223

*Não sopraram o bafômetro: 338 ( 18,4% dos testes)

Total: 321.343

* Está incluído no número de autuações por embriaguez
Autor: ACS/DPRF
OBID Fonte: Divisão de Multas e Penalidades / DPRF / MJ