Fumo tem dias contados no Paraná

Ministério do Desenvolvimento Agrário, Seab, prefeituras e entidades da sociedade organizada defedem alternativa ao plantio de tabaco.

Governo federal pretende investir R$ 5 milhões em sete estados da federação visando erradicar a produção de fumo no País

Os fumicultores da região de Irati (135 km ao norte de União da Vitória) começam a discutir neste segundo semestre a possibilidade de plantar outras culturas, além do plantio da folha de fumo. A iniciativa do debate partiu do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e sociedade organizada, visando fomentar alternativas de produção agrícola para que, gradualmente, os fumicultores abandonem de vez a atividade. Atualmente, o Paraná produz 157 mil toneladas de fumo por ano.

O governo federal pretende investir R$ 5 milhões em sete estados da federação nos próximos anos, visando erradicar a produção de fumo no País. O Paraná receberá R$ 1 milhão para incentivar outros tipos de produção agrícola. A ação governamental se deve ao fato de que o Brasil é um dos 157 signatários da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, tratado internacional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a redução do consumo de cigarros e de outros produtos derivados do tabaco.

O início deste debate inédito aconteceu quarta e quinta-feira, no 1º Fórum da Diversificação das Propriedades que Cultivam Fumo. Irati é a maior produtora de fumo no Estado, com 18 mil hectares plantados. “Eles (fumicultores) hoje acham economicamente viável plantar fumo”, declarou Adriana Baumel, chefe do Núcleo Regional da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastatecimento (Seab).

A Seab está trabalhando em conjunto com o MDA no projeto de diversificação. Os recursos ficam com a Emater, que repassará aos fumicultores, mediante projetos e propostas de diversificação.

Adriana explicou que há uma dependência dos produtores em relação a cultura do fumo. A maioria das propriedades da região de Irati é de pequenas áreas, não servindo para o plantio em grande escala, como grãos. Outro ponto contra a produção em alta escala, conforme a chefe da Regional da Seab, deve-se à área de reserva legal de Araucárias na região de Irati, além da topografia do terreno, entrecortado por pequenos rios.

Ela lembrou que desde o ano passado o governo do Estado, em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, vem desenvolvendo mutirões na área de fruticultura, bovinocultura do leite e produção de orgânicos. “A fruticultura, o leite e a agroecologia são alternativas compatíveis com a geração de renda igual a do fumo”, compara.

O 1º Fórum da Diversificação, segundo ela, objetivou fazer com que o próprio produtor de fumo discuta suas dificuldades e até proponha saídas. O evento contou ainda com a partipação de representantes dos 12 municípios que formam o território Centro-Sul do Paraná.

A região de Irati possui 150 produtores agrícolas, a grande maioria fumicultores. “Há mais de 40 anos produzem fumo”, destacou Adriana. Os temas discutidos pelos fumicultores foram o trabalho infantil, a relação dos contratos entre os agricultores e empresas fumageiras, o uso de agrotóxico na cultura do fumo e o tabagismo.

Ela lembrou que o trabalho infantil é muito comum na cultura de fumo, já que os filhos dos agricultores não estudam em período integral. “A criança não fica parada vendo os pais trabalharem, querem fazer o que ele estão fazendo. Como qualquer atividade”, explicou. Adriana lembrou que, por intermédio do Ministério do Trabalho, houve uma ação conjunta com os conselhos tutelares dos 12 municípios da região de Irati para cobrar dos pais a presença dos filhos na escola.

Além da dependência econômica dos plantadores de fumo, Adriana lembra que o plantio e o manuseio é prejudicial à sa© úde. Segundo ela, as folhas em contato com a pele introjetam grande quantidade de nicotina no sangue dos produtores.

A cultura do fumo se dá a partir de setembro, quando começam a ser transplantadas as mudas dos canteiros para a lavoura. A colheita começa entre janeiro e março. De março até julho, os produtores fazem a classificação e comercialização das folhas. Neste período também, começam a preparar os canteiros para novas mudas da próxima safra de fumo.

Porém, Adriana faz questão de ressalvar que a mudança na produção agrícola deve ser gradual.
Autor: Edson Pereira Filho
OBID Fonte: Folha de Londrina – PR