Mobilização contra o fumo

Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) chama atenção por estar diretamente relacionada ao tabagismo.

Na data em que o País se mobiliza para o Combate ao Fumo, dia 29, a DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) chama a atenção por ter uma relação direta com o hábito de fumar. E não é só isso: ainda pouco conhecida pelas pessoas, o diagnóstico muitas vezes é tardio, fazendo com que a doença seja responsável pela morte de quatro brasileiros por hora no Brasil, segundo dados do Datasus.

Os pacientes em estágios avançados da DPOC têm freqüentes internações como uma das implicações causadas pela piora do quadro, conhecida como exacerbação ou crise. O cenário provoca conseqüências impactantes tanto para o paciente ? já que se trata de uma doença que não tem cura e ele fica muito mais debilitado ? quanto para o Governo que tem um aumento de custos. “Em média, o período de internação é de cinco a seis dias, mas o paciente pode levar até um mês para se recuperar completamente depois de uma crise”, alerta José Roberto Jardim, professor de Pneumologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Esse quadro se torna mais evidente quando comparado, por exemplo, com internações por diabetes. Ainda segundo dados do Datasus, em 2006, foram realizadas 121 mil internações por diabetes a um custo aproximado de R$ 49 milhões, frente a 173 mil internações por DPOC, a R$ 87 milhões, ou seja, há um gasto 43% maior. “Por causa das internações, 30% dos pacientes com DPOC consomem 70% dos recursos destinados ao tratamento da doença”, explica José Jardim. Somados outros problemas relacionados ao cigarro como doenças cardiovasculares, infartos, derrames e cânceres, são cerca de 200 mil mortes por ano.

A DPOC caracteriza-se sempre pela associação de bronquite crônica e enfisema, podendo predominar uma ou outra situação, dependendo do estágio da doença. Calcula-se que hoje em dia a DPOC afete cerca de 5,5 milhões de brasileiros fumantes e ex-fumantes com mais de 40 anos. Devido à perda da capacidade pulmonar, o indivíduo passa a depender da ajuda de familiares para exercer atividades de rotina básicas, como tomar banho, alimentar-se e caminhar. Sem contar a ausência no trabalho, morte prematura e custos adicionais para o paciente e sua família.

O elevado gasto com internações pode ser amenizado pelo diagnóstico e tratamento precoce. A espirometria (teste que avalia a função pulmonar) é o principal exame para o diagnóstico da DPOC. Basta o paciente soprar no bocal e o resultado sai na hora. Em São Paulo, o exame pode ser feito pelos pneumologistas da rede pública e com a receita, o paciente consegue retirar o tratamento gratuitamente nos centros de distribuição de medicamento do Estado.

Desde 2003 está disponível no Brasil o brometo de tiotrópio, substância desenvolvida para o tratamento da doença, interfere positivamente na sintomatologia (o medicamento já faz parte do protocolo de tratamento da rede pública de saúde de alguns Estados). A administração é feita por meio da aspiração do conteúdo de uma cápsula com a ajuda de um pequeno equipamento. Como o efeito dura por 24 horas é necessária uma única dose ao dia, o que aumenta a adesão ao tratamento.
Autor: JC Agreste
OBID Fonte: Jornal do Commercio – PE