4,1 mil morreram por causa do cigarro em 2007

Quatro mil e cem paraibanos morreram no ano passado em todo o Estado vítimas de cânceres de traquéia, brônquios e pulmão e doenças cardiovasculares, o que representa 2,05% dos óbitos causados pelo tabagismo em todo o País. O número é considerado alto, mas de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a incidência dessas doenças em pessoas não-fumantes e que convivem com estes em ambientes fechados, é preocupante.

De acordo com a Secretaria de Saúde da Paraíba (SES), a estimativa é que, para cada um dos 720 mil fumantes existentes hoje no Estado, há um não-fumante com grandes chances de morrer de câncer ou de doenças cardiovasculares como o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular-cerebral (AVC). Segundo estimativa realizada em 2007 pelo Ministério da Saúde, em João Pessoa, 14,9% da população maior de 18 anos é fumante. Destes 20,8% são homens e 10,1% mulheres.

Segundo a gerente de Doenças e Agravos Não-Transmissíveis da SES, Lourdes de Fátima Sousa, os não-fumantes inalam até 50% da fumaça de derivados do tabaco e correm um risco 30% maior de sofrer de câncer de pulmão e 24% de infarto agudo do miocárdio que pessoas não-fumantes que não se expõem à fumaça de tabaco.

“Sabemos que 90% dos cânceres possuem o tabaco como um dos fatores de risco e que 80% dos casos de câncer de pulmão é diretamente causado por ele, inclusive de pessoas que nunca fumaram na vida, mas que convivem com fumantes. Por isso, o tabagismo deve ser combatido em todos os ambientes, porque o ar poluído com a fumaça do tabaco contem, em média, três vezes mais monóxido de carbono e até 50 vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça que entra pela boca do fumante depois de passar pelo filtro do cigarro”, explicou Lourdes de Fátima.

Ela disse ainda que crianças e gestantes também são severamente afetadas pela exposição à fumaça e que bebês com menos de um ano de idade correm o sério risco de morrerem subitamente sem causa aparente, no que é chamado de Síndrome da Morte Súbita Infantil. “Os bebês correm um risco cinco vezes maior de sofrer a síndrome. Além disso, bebês de até um ano de idade correm um risco maior de desenvolver doenças pulmonares. Já crianças maiores podem sofrer com mais freqüência de resfriados e infecções do ouvido médio, além de doenças respiratórias como pneumonia, bronquites e agravo de asma”, explicou Lourdes de Fátima.

71 mil em JP

No ano passado, a Capital tinha quase 71 mil fumantes na Capital. O município possui quatro Centros de Referencia do Programa de Tratamento do Tabagismo: o Centro de Atendimento Integral à Saúde (CAIS) do Cristo, CAIS de Mangabeira, CAIS de Jaguaribe e Centro de Saúde de Mandacaru. Somente no ano passado, 169 pessoas participaram dos programas e 69 (41%) delas deixaram definitivamente de fumar. Este ano, 178 usuários já estão cadastrados nos programas contra o tabagismo.

Ações em todo o Estado

Para diminuir esses números, será realizada uma programação especial na próxima sexta-feira, Dia Nacional de Combate ao Fumo, com a realização de várias ações na Capital e no Estado. Na Capital, as ações devem começar às 8h30, no prédio da Estação Ciência no bairro do Altiplano Cabo Branco, com o lançamento oficial da campanha “João Pessoa é sempre assim. Na Cidade Verde, você respira melhor”, que tem o objetivo de sensibilizar o setor turístico da cidade, como hotéis, agências de turismo e taxistas. Representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estarão presentes à solenidade.

Segundo a chefe de Fiscalização da Gerência de Vigilância Sanitária Municipal, Jailma Porto, já foram confeccionados cartões postais e cartazes sobre a proibição do fumo em ambientes fechados e a importância de se preservar áreas livres do tabaco, tanto para a saúde da população como para o bem-estar dos visitantes. Ela disse ainda que existe hoje, em João Pessoa, uma média de 30 ambientes livres de fumo, entre restaurantes e shoppings centers. “Queremos consolidar o respeito aos ambientes livres do fumo para que todos possam respirar melhor na nossa cidade”, explicou.

Legislação

Já a campanha da Secretaria Estadual de Saúde (SES) terá o tema “Ambientes 100% Livres de Fumo: um direito de todos”, com o intuito de sensibilizar e mobilizar a população para os danos sociais, políticos, econômicos e ambientais causados pelo tabaco. Também serão discutidas as necessidades de alteração da Lei Federal nº 9294/96, que proíbe o fumo em ambientes coletivos fechados, mas ainda permite áreas reservadas para fumar, que não impedem o contato com a fumaça de produtos do tabaco.

População aprova lei

Fumantes e não-fumantes paraibanos aprovam a criação de ambientes livres do tabaco e de espaços destinados para quem quer fumar. “Isso é muito bom para todos, porque respeita o direito de quem fuma, dando-lhe um espaço próprio para ele e de quem não gosta do cigarro, que não é obrigado a respirar a fumaça incômoda do tabaco. Para mim, que não fumo, é excelente e eu espero que novos espaços como esses sejam criados em outros cantos da cidade”, disse o universitário Elídio Oliveira.

A mesma opinião é compartilhada por quem fuma, como o estudante Ricardo Soares. Ele disse que o ato o deixa mais relaxado, mas que entende que nem todas as pessoas gostam da fumaça e, por isso, prefere fumar em ambientes próprios. “É uma forma de respeitar o próximo e não me privar de um ato que eu aprecio. Mesmo não fumando muito, entre dois e três cigarros por dia, gosto de ficar entre outros que também fumem, para não prejudicar a saúde dos outros”, falou.

No Brasil

Conforme estudo divulgado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), sete brasileiros morrem por dia de doenças atribuíveis ao tabagismo passivo, no Brasil. Todos os anos, 200 mil brasileiros morrem em decorrência de doenças causadas diretamente pelo tabagismo.
Autor: Alessandra Bernardo e Nice Almeida
OBID Fonte: Correio da Paraíba – PB