Estratégia contra as drogas

Substâncias sólidas e injetáveis estão entre as que vão ser combatidas pelo movimento que começa a se reunir terça-feira, em Manaus, em benefício da saúde pública.

Pesquisa inédita sobre usuários de drogas em Manaus, realizada pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), vai amparar uma estratégia de saúde pública que inclui de prevenção à polêmica distribuição de seringas descartáveis. O programa faz parte do recém-criado Comitê de Redução de Danos, que fará sua primeira reunião oficial no próximo dia 2, terça-feira. A proposta, segundo os coordenadores do programa, visa a evitar os danos causados pelo consumo de drogas lícitas e ilícitas sem obrigar os usuários a interromper o uso.

A linha de trabalho do comitê é baseada nos direitos de que o usuário de droga, mais do que um dependente químico, é um cidadão que merece ser tratado com dignidade. O comitê quer trabalhar com “a realidade” e não com “o ideal”, conforme explicações da coordenadora do comitê, a psicóloga Luciana Damasceno Costa. “Esta iniciativa inclui não apenas a prevenção, mas a humanização de atendimento a este tipo de usuário que sofre discriminação. Com relação aos usuários de drogas, o ideal seria a abstinência total. Mas considerando a nossa realidade, sabemos que o índice de abstinência é baixo, de apenas 2%. A realidade nem sempre condiz com o ideal”, diz Luciana.

A pesquisa foi realizada há dois anos pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) entre 499 consumidores de drogas de Manaus e apontou que 23% dos entrevistados eram usuários de drogas injetáveis (UDI). O levantamento apontou um dado considerado “não-esperado”: o registro de heroína injetável entre os UDI residentes em Manaus. O uso de cocaína injetável é mais comum entre os homens (68%) do que entre as mulheres. A heroína é mais usada pelas mulheres.

A política de redução de danos para usuários de drogas foi institucionalizada pelo Ministério da Saúde há 14 anos. Em Manaus, a primeira reunião do recém-criado Comitê Municipal de Redução de Danos será no próximo dia 2. Entre os órgãos e entidades que integrarão o comitê estão Secretaria Estadual de Saúde (Susam), Associação Brasileira de Redutores de Danos, Conselho Municipal Antidrogas e Núcleo Organizado Independente do Amazonas (Noia).

Especificamente entre usuários de drogas lícitas e ilícitas, a idéia é trabalhar com aqueles que “não conseguem, não podem ou não querem parar de ser um consumidor”, segundo Luciana. A política de redução de danos, contudo, não se limita aos UDI. Também vai trabalhar com usuários que abandonam o uso de preservativos durante as relações sexuais e com a educação sexual nas escolas por meio do programa Juventude Consciente.
Autor: Elaíze Farias
OBID Fonte: A Crítica-AM