Campanha combate dependência

Centro Mineiro de Toxicomania apresenta material educativo com o objetivo de prevenir o uso de álcool, crack, cocaína, maconha e outros produtos capazes de criar dependência

“Me identifico com essa mobilização porque já vivi esse problema. Passei sete anos de minha vida como um escravo da maconha e, principalmente, da cocaína, que é uma
droga poderosa”

Wilson Sideral, músico

Histórias de muito sofrimento familiar, perdas de bens materiais, culpa e complicações de saúde. Os relatos de quem luta para se libertar da dependência de drogas ou já conseguiu sobreviver a períodos de vício são recheados de amargura e tristeza. Somente neste ano, no Centro Mineiro de Toxicomania (CMT), na região hospitalar, em Belo Horizonte, 252 pessoas procuraram ajuda para se livrarem do consumo de crack, o que representa 36% dos pacientes atendidos nessa unidade. A instituição completa 25 anos e quer comemorar a data com um alerta, a campanha educativa “Se liga, droga não é brincadeira”.

O CMT recebe 80 pacientes por dia, entre novos e em tratamento. Os alcoólatras representam 45% da demanda pelo serviço. Neste ano, dos 685 novos casos, 295 enfrentam o alcoolismo, situação que implica dependência física e necessidade de intervenção médica com remédios para evitar dores no corpo e até problemas sérios de saúde com a interrupção do vício. O crack é o principal problema entre as drogas ilícitas e em seguida está a cocaína, responsável por 8% do público atendido. A maconha está na quarta posição entre as drogas mais consumidas, com 7% da demanda.

O CMT também recebe dependentes de heroína, inalantes, anfetaminas, opiáceos, merla, sedativos e tabaco. De acordo com a gerente do CMT, Raquel Martins, o objetivo não é apenas fazer uma campanha do tipo “não use drogas”, mas sobretudo responsabilizar o usuário sobre o seu vício, para que ele entenda que largar a dependência é uma escolha pessoal. “Há uma diferença entre não devo usar e não quero usar. As pessoas não podem ser vistas como doentes ou vítimas. O terapeuta vai ajudar para que o usuário fortaleça sua decisão e valorize outras áreas de sua vida, que vão lhe dar mais prazer do que o uso das drogas”, afirma Raquel Martins.

MOBILIZAÇÃO

A campanha vai contar com panfletos, marcadores de livro e material de divulgação distribuídos em bares e casas noturnas de Belo Horizonte. Cartazes também vão ser fixados em vários pontos da cidade com a foto do cantor Wilson Sideral, ex-dependente de drogas, que é o padrinho da campanha. “Me identifico com essa mobilização porque já vivi esse problema. Passei sete anos de minha vida como um escravo da maconha e, principalmente, da cocaína, que é uma droga poderosa. Quando a banda do meu irmão (Rogério Flausino, vocalista), Jota Quest, fez sua primeira apresentação em um grande festival de rock, eu estava no buraco. Foi quando tive uma luz e pedi ajuda para os meus pais”, conta Wilson Sideral.

O tratamento do cantor durou seis meses com ajuda de medicamentos antidepressivos e ansiolíticos e apoio de uma psiquiatra. Sem recaídas, Wilson Sideral está há 11 anos sem consumir drogas e bebidas alcoólicas. “Faço da minha música o meu grande barato. Convivo de perto com amigos que usam drogas e agradeço a Deus por estar há tanto tempo limpo. Quando vou a alguma festa em que o clima está pesado, com gente consumindo muita droga, me sinto mal e vou embora”, relata.
Autor: Luciana Melo
OBID Fonte: Estado de Minas – MG