Consumo de bebida alcoólica dobra nas escolas estaduais

Pesquisa realizada pela Udemo mostra que também cresceu o uso de entorpecentes entre alunos.

O porte ou consumo de bebida alcoólica nas escolas da rede estadual de ensino praticamente dobrou em quatro anos, segundo pesquisa realizada pelo Sindicato dos Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo (Udemo) ? entidade que representa os diretores e vice-diretores, professores-coordenadores e supervisores de ensino.

De acordo com o estudo, em 2003 o problema foi registrado em 20% das escolas paulistas. No ano passado, subiu para 36%. O consumo de drogas também vem crescendo em níveis alarmantes, concluiu o estudo. De acordo com o levantamento, o número de escolas que registraram casos de consumo e tráfico de entorpecentes subiu de 19% para 32% no mesmo período. A pesquisa mostrou ainda que 82% das unidades de ensino do Interior informaram ter sofrido algum tipo de violência em 2007. Os casos são ainda mais graves na Capital (88%) e Grande São Paulo (97%).

São episódios já conhecidos de agressões a professores e funcionários, desacato ou vandalismo e até casos de explosões de bombas. Esse tipo de incidente foi registrado em 26% das escolas paulistas há cinco anos. Já em 2007, os casos apareceram em 38% das unidades escolares do Estado ? uma delas em Campinas.

Em agosto deste ano, um grupo de alunos chegou a gravar um vídeo no momento em que dois integrantes arremessaram bombas caseiras na Escola Estadual Professora Benedicta de Salles Pimentel Wutke, no Jardim Nova América. Eles postaram a gravação no site You Tube e, agora, espalham as imagens via e-mail. Os estudantes postaram o vídeo na categoria “educação” com a descrição “É nois terrorista P….!!! All-Quaeda na escola (sic)”. São cerca de 16 minutos de imagens escuras que mostram quando um deles, de dentro da escola, joga uma bomba na caixa de luz para, segundo o grupo, provocar uma queda de energia. Como o explosivo falha, já do lado de fora, outro aluno joga uma segunda bomba no pátio que explode minutos depois de ser arremessado. Esse tipo de ocorrência no Interior é de 39%.

Os dados da pesquisa constatam o crescimento dos outros tipos de violência. Os casos de arrombamento de prédios escolares (portões, cadeados) subiu de 33% para 46% em quatro anos e os registros de brigas entre alunos subiram de 78% para 85%. Os furtos foram de 27% para 32% e os danos a veículos de funcionários explodiram. Foram verificados em 28% das escolas em 2003 e agora estão em 68% delas. Com relação à violência contra os bens materiais da escola, pela ordem, foram os mais freqüentes: depredação, pichação, arrombamento, dano a veículo, furto, além da explosão de bombas.

A invasão da escola por pessoas estranhas chegou a 42% e decorrem da ausência de porteiros, em sua grande maioria. Muitas vezes, essas invasões são acompanhadas de assaltos contra alunos e professores. “Trata-se de um quadro gravíssimo, sem dúvida, mas que não chega a ser surpreendente, porque vemos este tipo de problema mostrado quase que diariamente nos jornais”, diz o presidente do Udemo, Luiz Gonzaga de Oliveira Pinto.

Secretaria da Educação desqualifica levantamento

A Secretaria de Estado da Educação desqualificou a pesquisa, dizendo que não possui consistência técnica. Por meio de nota oficial, a secretaria argumentou que o universo abrangido pelo levantamento é pequeno e que por isso não deve ser considerado.

A nota diz ainda que depredações e violência em escolas vêm caindo ano a ano. Um levantamento realizado pelo órgão comprovaria isso: em 2007, foram registrados 1.650 casos de depredações, contra 1.743 em 2006, 2.120 em 2005, 2.684 em 2004 e 3.064 em 2003. Essa queda, segundo a secretaria, é ocasionada por trabalho intenso para conscientizar alunos contra qualquer ato de vandalismo. Além disso, ressaltou que a violência nas escolas existe e vem sendo enfrentado firmemente, com projetos de conscientização em parceria com a Polícia Militar e com a Justiça.

O presidente da Udemo reagiu. “Se eles quisessem poderiam submeter todas as 5,5 mil escolas do Estado ao teste e veríamos se temos ou não razão. O fato é que a secretaria não tem coragem de fazer isso, porque sabe que o problema é grave”, afirma Luiz Gonzaga de Oliveira Pinto. (JF/AAN)

Em escola do San Martin, alunos confirmam dados

Estudantes da EE Dr. Telêmico Paioli Melges dizem que uso de álcool e drogas é comum

Estudantes da rede estadual de ensino confirmam que há bebidas alcoólicas e drogas dentro das escolas. Em depoimento à Agência Anhangüera de Notícias (AAN), alunos da 6ª série do Ensino Fundamental da Escola Estadual (EE) Dr. Telêmico Paioli Melges, no bairro San Martin, em Campinas, afirmaram que já viram muitos colegas de classe entrarem com garrafas de pinga e de batidas dentro das mochilas e beberam durante os intervalos sem nenhuma intervenção da direção ou dos inspetores da instituição de ensino.

Cigarros e drogas também “rolam soltos” nas dependências do colégio, de acordo com eles. “A diretora vê e nem reclama”, disse uma estudante de 14 anos.

Depredações, pichações e desacato a professores são freqüentes. Os estudantes, que aguardavam o transporte em frente à escola ontem, no início da noite, disseram que há muitas brigas, discussões e xingamentos, o que acarreta a presença quase diária da Ronda Escolar da Polícia Militar. “Hoje mesmo quase esganei uma menina que xingou a minha mãe. Mexer com a mãe não dá, tia”, contou um estudante de apenas 13 anos, que disse que não gosta de estudar nessa escola. “Aqui é uma bagunça. Não dá para aprender direito desse jeito”, acrescentou.

Um dos portões de acesso da escola também estava aberto sem nenhuma fiscalização, permitindo a entrada de qualquer pessoa. “Pode entrar tia, não tem problema. Qualquer um entra aqui”, disse outro garoto, estudante da 5ª série.

A direção da escola foi procurada pela reportagem, mas não retornou os recados transmitido a uma funcionária. (JF/AAN)
Autor: Juliana Facchin/ Tote Nunes
OBID Fonte: Correio Popular-Campinas-SP