Apreensões de carteiras sobem 30% no Paraná

Homens arriscam mais do que as mulheres ao volante e por isso respondem pelo maior volume de suspensões de CNHs. Número de multas também aumentou.

O rigor na fiscalização e o crescimento da frota de veículos têm aumentado o número de suspensões de carteiras de motorista no Paraná. No ano passado, 14.725 motoristas tiveram a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa de maneira direta no estado, ou seja, no ato da infração, por dirigir embriagado, permitir que pessoa não habilitada conduza o veículo, disputar rachas ou trafegar com velocidade 50% superior à máxima permitida. Neste ano, até julho foram 11.503 suspensões, segundo o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR). A média mensal de apreensões subiu de 1.227 no ano passado para 1.643 neste ano. Alta de 25%.

O número de motoristas que perderam a carteira por atingir os 20 pontos também já é proporcionalmente maior em 2008. De janeiro a julho deste ano foram suspensas 12.742 CNHs por esse motivo, contra 14.088 no ano passado. A média mensal passou de 1.174 para 1.820 de um ano para outro. Um acréscimo de 35,5%. Na soma geral (de forma direta ou por acúmulo de pontos), o volume mensal de carteiras apreendidas saltou de 2,4 mil, no ano passado, para 3,4 mil neste ano. O aumento médio geral foi de 29,5%.

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Confira quantas carteiras foram suspensas em junho de 2008Sem curso, motorista não pode voltar às ruas
Quando a fisioterapeuta Renata Abrão teve sua carteira de habilitação suspensa por ter somado 20 pontos em infrações, foi avisada que, além de passar quatro meses sem dirigir, teria de assistir a 30 horas de aula do curso de reciclagem. Na época, há sete meses, ela estava no início da gravidez e diz ter tentado fazer um acordo com o Detran-PR, sem sucesso. “Eu queria tentar fazer a prova, ou cursar menos horas, por causa da gravidez, que é uma condição especial. Passei as últimas semanas ligando várias vezes por semana, mas não teve jeito”, afirma.

Valor do seguro pode ser revisto

O rigor na fiscalização e o crescimento no número de carteiras suspensas poderá levar a uma redução no custo do seguro de automóveis. Segundo Ramiro Fernandes Dias, diretor executivo do Sindicato das Empresas de Seguros Privados e Capitalização do Paraná (Sindiseg), o setor deve fazer uma avaliação no próximo mês. No entanto, Dias adianta que a redução no custo não deverá ser proporcional à possível queda dos acidentes e aumento no número de carteiras suspensas.

“O cálculo do valor de um seguro tem dois compostos, o número de furtos e roubos e o de acidentes e incêndios. Furtos e roubos respondem por 60% do custo total do seguro. Os acidentes respondem por 40%”, afirma. “Havendo uma redução no número de acidentes, o porcentual de desconto será aplicado sobre essa parcela de 40%. Não temos uma bola de cristal para dizer se a redução será de 30%, por exemplo. Às vezes criam expectativas complicadas.”

Segundo Dias, ainda não foi possível medir os índices de redução dos acidentes a partir da lei que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas. “Assim que a lei entrou em vigor (em junho) tivemos o período de férias escolares, com uma redução significativa de veículos nas ruas. Imaginamos que em seis meses será possível saber se a lei está surtindo algum efeito e qual o tamanho desse efeito. Dependendo disso, as seguradoras reduzirão as alíquotas. Com o custo reduzido, mais pessoas farão seguros”, diz. Segundo ele, somente 25% da frota total do Paraná é segurada. (JML)

Os homens são os mais atingidos. De janeiro a julho deste ano, foram 10.534 suspensões de condutores do sexo masculino, contra apenas 969 mulheres. Os homens respondem por 91% das punições diretas, índice superior ao total de carteiras expedidas para motoristas do sexo masculino. Segundo o Anuário Estatístico do Detran-PR de 2006, 73% do total de CNHs do estado são expedidas para homens.

As mulheres têm mais carteiras suspensas por atingir os 20 pontos do que por uma única infração gravíssima. Mesmo assim, ficam longe dos índices masculinos. Foram 2.792 casos entre janeiro e julho neste ano, contra 9.945 de homens. No ano passado, 3.336 mulheres tiveram a carteira de habilitação suspensa no Paraná por atingirem os 20 pontos, contra 1.211 que tiveram o documento retido de maneira direta.

Punições masculinas

Para a coordenadora de Habilitação do Detran-PR, Maria Aparecida Farias, uma das explicações possíveis para o aumento das suspensões é o crescimento da frota. Mas ela afirma que esse aumento de carros, motos e condutores não deveria estar relacionado com o grande número de infrações. “A infração é um desrespeito à legislação, e todos os novos condutores deveriam respeitar as leis”, diz. Outro motivo pode ser o aumento de fiscais nas ruas. “Se fôssemos colocar um agente de trânsito a cada dez quadras, certamente teríamos mais autuações”.

]Para o consultor em segurança do trânsito João Pedro Corrêa, os homens são mais penalizados por serem maioria ao volante e se arriscarem mais. “O número de homens que dirige é muito maior que o de mulheres”, pondera. “Como há mais homens no trânsito, há mais homens atrapalhados, atrasados, que acham que o guarda não está vendo a infração.” Corrêa acha que as multas têm um papel educativo, mas também pode haver excessos. “Não significa que todas as multas sejam educativas e bem aplicadas.”

Jovens cometem mais infrações graves. Segundo dados de julho do Detran, entre os que praticaram manobras arriscadas, 115 tinham entre 18 e 25 anos; 67 entre 26 e 32 anos, e apenas 20 com mais de 50 anos. Os mais velhos cometem infrações mais leves e a suspensão da CNH acontece quando somam os 20 pontos. Dirigir o veículo utilizando o telefone celular é mais comum entre os mais experientes: 57 condutores entre 40 e 50 anos tiveram a carteora suspensa em junho por causa dessa infração, contra apenas seis motoristas entre os 18 e os 25 anos.

Multas

Em Curitiba, o número de multas passou de 528.281 em 2005 para 533.647 em 2006 e 724.373 no ano passado. De janeiro a junho deste ano, já foram aplicadas 380.514 multas, segundo o Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (BPTran) e a Diretoria de Trânsito de Curitiba (Diretran). O aumento se deve à fiscalização mais rígida e ao crescimento da frota. Os veículos passaram de 907.154, em 2005, para 1.067.023, em junho deste ano. No mês passado, a Diretran passou a ter 420 fiscais, com incorporação de mais 45 novos agentes de trânsito.

Em números absolutos os acidentes também aumentaram, de 24.356 em 2006 para 25.509 em 2007 e 13.385 até a junho deste ano. Mas se comparado ao crescimento da frota, a Diretran aponta redução de 2,6% no número de acidentes com vítimas. “É um índice significativo de redução, por mais que pareça pequeno”, comenta a diretora de Trânsito de Curitiba, Rosângela Batistella. A Diretran vem utilizando as câmeras da Secretaria Municipal de Defesa Social para monitorar o tráfego na região central.
Autor: Adriana Czelusniak e José Marcos Lopes
OBID Fonte: Gazeta do Povo – PR