Estudo diz que 1,5% dos motoristas usa drogas nas estradas

Dados preliminares de um estudo realizado pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) revelaram que 1,5% dos motoristas que trafegam pelas rodovias federais nos arredores de cinco capitais brasileiras, incluindo João Pessoa, usaram drogas ou medicamentos psicotrópicos (também chamados tarja preta) antes de dirigirem.

Segundo o coordenador do estudo, Fabio Pechanski, esses são apenas dados preliminares e somente com a conclusão do estudo, previsto para acontecer em março de 2009, é que será possível conhecer a realidade dos motoristas brasileiros.
Ele disse que ainda que a pesquisa completa, feita apenas nas rodovias federais próximas às 26 capitais brasileiras e do Distrito Federal, deve apresentar um panorama relacionado também a motoristas de ônibus.

De acordo com o estudo, dos 563 motoristas abordados, 2,4% tinham usado maconha e 1,5% haviam utilizado cocaína. “Foi uma surpresa grande que essa categoria tenha apresentado esse resultado”, disse.Na Paraíba, não há um levantamento com relação ao número de motoristas paraibanos que façam uso de drogas ou psicotrópicos ou o número de acidentes provocados por motoristas nestas condições, nem pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-PB) ou pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).

“Não há como saber se um acidente foi provocado por isso ou aquilo, porque as vítimas são levadas diretamente para os hospitais. Seria necessário uma fiscalização específica para descobrir esses elementos”, explicou o chefe do Núcleo de Comunicação Social da PRF, inspetor Genésio Vieira. Nos oito primeiros meses deste ano, o Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa realizou o atendimento a 4.555 vítimas de acidentes de trânsito em todo o Estado.

Na última 2ª feira, o ministro da Saúde, José Temporão defendeu a restrição das carteiras de habilitação aos usuários de drogas e de medicamentos classificados como tarja preta ou psicotrópicos. Ele disse que embora não exista ainda um texto específico sobre o assunto, o Ministério já recebe demandas nesta área e que é preciso estudar como esta regulamentação seria aplicada. “Precisamos estudar isso, se seria por meio de uma lei específica ou por ajustes da legislação de trânsito já existente”, declarou. No entanto, ele reconhece as dificuldades com relação à fiscalização da nova norma, já que não existem equipamentos capazes de medir a dosagem do uso de drogas.
Autor: Alessandra Bernardo
OBID Fonte: Correio da Paraíba – PB