PF pede à Anvisa proibição de substância entorpecente

Relatório da Polícia Federal de Volta Redonda sobre novo entorpecente, semelhante ao ecstasy, que vem sendo consumido por jovens, principalmente no Sul Fluminense, foi concluído ontem e deve ser encaminhado nesta quinta-feira para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O objetivo é incluir a substância clorofenilpiperazina ou m-clorofenilpiperazina (mCPP) na lista de produtos proibidos. Produzida em laboratórios, a substância é utilizada como droga, segundo as investigações.

O delegado da PF, César Augusto Gaspar, elaborou o ofício a partir do laudo de um perito sobre a substância e apreensão do material. “O ofício está pronto e amanhã (hoje) deve ser enviado. Vai ser muito positivo. O mCPP não existe como remédio. Nunca vai estar na modalidade comprimido”, disse o delegado.

Segundo especialistas, o mCPP, que pertence à classe das piperazinas, faz com que os usuários tenham a sensação de elevação do humor e bem-estar. Apesar de imitar os efeitos do ecstasy, os efeitos da substância, porém, podem ser bem piores.

De acordo com assessoria de imprensa da Anvisa, o uso da substância já foi discutido, mas é necessário aguardar parecer oficial da polícia. Assim que isso for feito, será feita a atualização da portaria 344 do órgão, que aprova o Regulamento Técnico sobre substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial). Ainda segundo a Anvisa, a substância só tem uso ilícito e não existe nenhum medicamento que a utilize e que se encaixe na lista de proscritas.

Operação Deserto

No início do mês, a Polícia Federal prendeu dez suspeitos de integrar uma quadrilha que traficava o produto, com conexões em favelas do Rio e São Paulo, durante Operação Deserto. Agentes descobriram ainda, por meio de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, que o mCPP havia sido comprado na Mangueira, no Rio, e identificaram mais de 30 usuários só no Sul do Estado. De acordo com o delegado César Augusto, os usuários são, na maioria, jovens de classe média.

“Cada comprimido custa R$ 50, R$ 60. Pelo perfil, não atende às classes baixas. Alguns usuários admitiram ter comprado a droga quando ainda eram menores”, disse o delegado.
Autor: Andréia Lopes
OBID Fonte: Site do Terra