Perigo na balada

Protegido pelo mito de que é inofensivo, o ecstasy pode causar graves danos ao cérebro. Protegida pelo mito de que é inofensiva, tolerada pela polícia e ignorada pelos pais, uma droga cada vez mais popular entre jovens de classe média e alta se transformou em um fenômeno social de conseqüências ainda imprevisíveis. Na mesma cadência acelerada das batidas de música eletrônica que embala seu uso, a droga molda novos padrões de tráfico e ameaça com prejuízos irreversíveis o cérebro dos usuários.

O impacto do consumo regular ainda carece de investigação, mas os indícios são preocupantes. Segundo estudo realizado em 2007 pelo Centro Médico Acadêmico da Universidade de Amsterdã, publicado na revista “In Archives General Psychiatry”, da Associação Médica Americana, bastariam três usos de ecstasy ao longo da vida para causar danos à memória. O consumo freqüente provocaria a destruição de neurônios e favoreceria depressão e ataques de pânico. A cada fim de semana, os jovens usuários utilizam, em média, de um a dois comprimidos, mas não é raro encontrar casos de mais de oito doses no mesmo período.

“O uso freqüente acelera a queima de neurônios, traz prejuízos à memória e à atenção. O que ainda não se sabe exatamente é como se dá a neurodegeneração. Esse povo está brincando de cobaia”, alerta o psicólogo Murilo Battisti, pesquisador do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas e membro do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas.

A sensação de liberalidade, aliada à crença de que a droga tem baixo poder ofensivo, favorece a disseminação. Com a sede descomunal provocada pela bala, a maioria só toma água durante a noite e, no dia seguinte, chega em casa bem disposta e sem cheiro de álcool, para tranqüilidade dos pais desinformados. “Essa é a droga do futuro, vai substituir a cocaína, por exemplo, porque tem muita facilidade de venda, não tem cheiro e é fácil de transportar”, imagina o delegado Roger Soares Cardoso, chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal.
Autor: Editoria Viver Bem
OBID Fonte: A Notícia-SC