Tabagismo é doença crônica que ativa a memória psíquica

A utilização de medicamentos à base de nicotina – a goma, o adesivo e o spray, entre outros – é considerada hoje a forma sensata de combater o tabagismo. São métodos que compartilham a característica crucial dos bons medicamentos comerciais: foram vastamente estudados em laboratórios conceituados e carregam o selo de aprovação da OMS. Comparado ao cigarro, o consumo desses produtos é muito mais seguro, garantem especialistas.

“De modo geral, as pessoas tendem a considerar a nicotina, o tabaco e o cigarro como uma coisa só, mas são coisas distintas. O cigarro não é fatal porque contém nicotina, mas por ter outros 40 elementos químicos misturados ao tabaco”, explica Michael Fiore, diretor do Centro de Pesquisas e Intervenção do Tabagismo da Universidade de Wisconsin. “A nicotina, embora viciosa, é aparentemente segura na forma como é dosada nos atuais produtos.”

Segundo Martin Raw, psicólogo inglês e membro da Sociedade de Pesquisa sobre Nicotina e Tabaco, nos EUA, agências governamentais deveriam estar controlando todos os produtos que contêm nicotina, coisa que atualmente não fazem.

Timothy O?Leary, da OMS, revela que não faz parte da tutela da OMS conduzir testes em produtos suspeitos, como o e-cigarro. A organização não possui laboratórios próprios, portanto pesquisas dependem da vontade do fabricante, que se responsabiliza por bancar os custosos estudos e enviar os resultados às agências regulatórias.

O tabagismo é considerado hoje uma doença crônica e a nicotina, uma substância psicotrópica. Não existe cura, somente reabilitação. Em média, a cada 100 fumantes, somente cerca de quatro ou cinco terão conseguido parar de fumar após alguns anos. É como diz o ditado: “Parar é fácil. Já parei várias vezes.”

“No momento em que ex-fumantes tornam a colocar um cigarro na boca, reativam suas memórias químicas associadas ao vício”, explica Guiomar da Mota Magalhães, psicóloga da Associação Brasileira Comunitária para a prevenção do abuso de drogas. “Em uma semana, a pessoa estará fumando como antes.”

Doenças associadas

A doença é progressiva, passando do estágio agudo ao crônico e evoluindo através de cerca de 60 condições médicas associadas ao tabagismo, como o câncer, problemas arteriais e cardíacos.

Entre os métodos de combate ao vício existem os psicofármacos, que bloqueiam a sensação do prazer associada a nicotina, isolando receptores do cérebro que normalmente reagem a nicotina.

“O problema é que quando se suspende o medicamento, a pessoa tende a retornar ao vício. Por isso, é preciso averiguar também a relação do fumante com o cigarro através da terapia comportamental”, explica Guiomar.

E Raw conta:

“Tenho um amigo que masca chiclete de nicotina há cerca de 10 anos. E é feliz.”
Autor: Editoria Vida, Saúde e Ciência
OBID Fonte: Jornal do Brasil – RJ