Verba federal contra a epidemia do crack

RS promete investir R$ 25 milhões de pacote na assistência a dependentes. A partir da metade de novembro, os gaúchos podem começar a reivindicar mais cirurgias como catarata, quimioterapias para tratar câncer, além de novos leitos para tratar dependentes do crack. A Secretaria Estadual da Saúde prometeu ontem que, nesse prazo, começará a investir os R$ 81 milhões anunciados nesta semana pelo governo federal.

Uma das prioridades será o reforço no atendimento para usuários de crack nos hospitais gerais. Cerca de R$ 25 milhões serão direcionados para esse problema. Com o dinheiro, o Estado ainda espera amenizar as filas no Sistema Único de Saúde por cirurgias eletivas, como catarata, ortopedia, vasectomia, laqueadura tubária e hérnia. Também pretende reforçar a atenção especializada, com o investimento em hemodiálise, transplantes e cirurgias cardíacas.

“Muito já vínhamos fazendo, mas sem receber a contrapartida federal, principalmente no tratamento do paciente com câncer. Esperamos repercutir esse recurso nos atendimentos nos próximos meses. Não resolvem, mas ajudam muito” avalia o secretário estadual da Saúde, Osmar Terra.

Outra parcela importante dos investimentos será direcionada para as cirurgias de redução de estômago nos casos de obesidade mórbida. O governo estadual planeja direcionar R$ 800 mil para reduzir a fila de espera de 740 pessoas. O procedimento será realizado no Hospital da Ulbra, em Canoas, e nos hospitais Conceição, São Lucas, da PUCRS, e Clínicas, na Capital.

Ao saber da novidade, contudo, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica não comemorou. Além de considerar a quantia insuficiente, o presidente da seccional gaúcha da entidade, Cláudio Mottin, reclama da centralização dos procedimentos na Região Metropolitana.

“Concentrar as cirurgias em torno da Capital é altamente questionável. O paciente do Interior, feita a operação, terá muita dificuldade de voltar periodicamente para o acompanhamento, que é fundamental”,afirma.

Para onde vai o dinheiro
Os principais destinos dos recursos do Sistema Único de Saúde (SUS):
1. Ampliação da assistência psiquiátrica nos hospitais gerais, principalmente para vítimas do crack
R$ 25 milhões
2. Cirurgias eletivas ? cerca de 64 procedimentos cuja espera supera seis meses em certo casos, como catarata, ortopedia e hérnia
R$ 23 milhões
3. Ampliação na rede estadual de exames e tratamentos contra o câncer, como biópsias e quimioterapias
R$ 12,9 milhões
4. Hemodiálise (reembolso ao que o Estado já pagava pelo procedimento mais o reajuste desse valor)
R$ 4,8 milhões
5. Aumento de leitos nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs)
R$ 3 milhões
6. Projeto-piloto de internações domiciliares
R$ 2 milhões
Autor: Editoria Geral
OBID Fonte: Zero Hora – RS