Doença hepática é uma das conseqüências mais graves do uso crônico de álcool

Um levantamento da UNIFESP, Universidade Federal de São Paulo, apontou que os jovens estão bebendo cada vez mais cedo. Segundo o estudo, adolescentes com idades entre 14 e 17 anos, afirmaram ter experimentado o primeiro gole de álcool aos 13 anos.

A estatística preocupou a OMS, Organização Mundial da Saúde, que até hoje traça estratégias internacionais para combater o abuso de bebidas alcoólicas entre menores de idade. Ainda, de acordo com esse levantamento, a cerveja corresponde a cerca de 61% de todas as doses de álcool consumidas no Brasil.

Tudo começa com um gole. Às vezes, a pessoa nem gosta de bebida alcoólica, mas cede por estar na companhia de amigos. Este caminho pode se tornar perigoso. Quando o nível de álcool no sangue atinge apenas 0,10%, os efeitos são visíveis e já se percebe a falta de coordenação motora e a diminuição geral dos reflexos.

A OMS explica que dependendo dos precedentes familiares, a cerveja pode se transformar em uma porta de entrada para o alcoolismo que, por sua vez, pode trazer problemas graves, entre eles, doenças hepáticas, consideradas uma das conseqüências clínicas mais graves do uso crônico de álcool.

“O funcionamento normal do fígado é essencial à vida. O fígado é o maior e, em alguns aspectos, o mais complexo órgão do corpo humano”, afirma Dr. Arthur Guerra de Andrade, presidente executivo do CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool, e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo Dr. Guerra de Andrade, uma das principais funções do fígado é degradar as substâncias tóxicas absorvidas do intestino ou produzidas em outras áreas do corpo e, em seguida, excretá-las como subprodutos inofensivos. “O fígado é um órgão susceptível aos danos provocados pelo álcool, pois é o principal sítio de metabolismo dessa substância no organismo”, afirma o médico.

Quando o álcool é ingerido, o pico de concentração sanguínea é atingido após 30 a 45 minutos, sendo assim, a substância leva mais tempo para ser metabolizada que para ser absorvida. Portanto, se o consumo não for controlado, o fígado começa a sentir o acúmulo das toxinas no corpo.

“Além do fígado ser um dos maiores órgãos do corpo humano, ele possui a capacidade de se regenerar, conseqüentemente, os sintomas relacionados à lesão hepática provocada pelo álcool podem passar despercebida até que seja realmente extensa”, diz Dr. Guerra de Andrade.

Para o sexo masculino, esta condição pode ser alcançada pelo uso de cerca de dois litros de cerveja, um litro de vinho ou 240 ml de bebidas destiladas ingeridas diariamente, por pelo menos 20 anos. Já entre as mulheres, a quantidade necessária para produzir prejuízos semelhantes é de apenas ¼ a ½ deste montante.

As principais doenças hepáticas causadas pelo exagero no consumo de bebidas alcoólicas são a hepatite e a cirrose. Esta última, resultado de diversas doenças crônicas do fígado, é praticamente assintomática e só será notada quando em estágio avançado. Como sintomas, a hepatite geralmente apresenta febre, fígado doloroso e varizes hepáticas.

A mistura do consumo excessivo de álcool com o cigarro também deve ser considerada e evitada. Alcoolistas que fumam mais do que um maço de cigarro por dia apresentam três vezes mais chance de ter cirrose do que os indivíduos não tabagistas.

Assim, em linha gerais, o único tratamento para as doenças hepáticas, causadas pelo álcool, é a abstinência da substância.
Autor: Maxpress
OBID Fonte: Maxpress