Jovens no caminho correto

Projeto desenvolvido em condomínios visa afastar adolescentes das drogas e da violência.

A perda precoce de dois amigos envolvidos em acidentes de trânsito e a iniciativa de implantar um comportamento menos agressivo entre os jovens das Barra motivaram o professor de educação física, Paulo Dunlop Júnior, de 26 anos, a colocar em prática um projeto esportivo e educacional dentro dos condomínios da região. De acordo com o professor, morador da região há mais de 15 anos, os resultados positivos já podem ser comprovados junto a alguns adolescentes que participam do projeto elaborado por sua empresa, a Personal Vip, montada com um sócio.

Paulo conta que muitos adolescentes deixaram de lado o comportamento violento e colocaram em prática uma filosofia de vida positiva. O diferencial no projeto são os eventos sociais, como cafés da manhã e churrascos, organizados nos condomínios, contando sempre com a presença de psicólogos e nutricionistas. Uma equipe de 20 professores supervisiona as atividades esportivas, como torneios de futebol e tênis, que se misturam a jogos de cartas e xadrez.

Os eventos acontecem semanalmente ou duas vezes por mês, dependendo do acordo firmado com os condomínios. Este mês, as atividades estão acontecendo nos condomínios Viva Viver e Sunflower, ambos no Recreio.

Paulo Dunlop garante que o projeto não custa caro. Segundo ele, para que o morador participe das atividades, o valor é de R$ 20, em média, por apartamento.

“No conjunto de atividades, visamos desenvolver nesses jovens as habilidades para fazer amigos, compreender os companheiros, liderar e serem liderados. Conviver com conflitos e buscar meios para pacificar”,explica ele. “Tirá-los das drogas e eliminar a cultura da violência gratuita é nossa meta”.

O professor quer acabar com o mito de que a Barra é o celeiro de jovens irresponsáveis. Apesar de reconhecer que o rótulo não surgiu por acaso, vide os casos de agressões registrados contra a empregada doméstica Sirlei Dias Carvalho e os travestis na orla do bairro, Paulo acredita que algumas ferramentas podem abrir a mente confinada desses jovens.

“Além dos esportes, as atividades nas salas de jogos dos condomínios, os cafés da manhã e churrascos de confraternização ajudam os jovens rebeldes a desenvolverem uma prática de sociabilização”,diz o professor. “O adolescente problemático não interage com outras pessoas. Ele só aceita a convivência com aqueles que fazem parte do seu grupo de práticas nocivas”.

O professor lembra com tristeza da perda de dois amigos em acidentes na região. O choque fez com que ele carregasse dentro de si a vontade de unir sua profissão com uma ação que pudesse resgatar a essência boa dos jovens.

“Tinha 15 anos quando perdi dois amigos. Em ambos os casos, havia o envolvimento de bebida alcoólica. Um morreu em um acidente de trânsito no Recreio. O outro foi atropelado. Tenho a convicção de que os jovens da região estão carentes desse tipo de trabalho no local onde moram”,diz.
Autor: Eduardo Tavares
OBID Fonte: Jornal do Brasil – RJ