Perfil do Consumidor – Edição Especial

Pesquisa mostra que 35% dos freqüentadores da noite carioca usam drogas, que o ecstasy já passou a cocaína, que 61% já exageraram na dose e que, em 43,3% dos casos, os pais sabem de tudo

O carioca M. e sua amiga embarcaram numa kombi fretada em Ipanema, rumo a uma festa em Vargem Grande, para uma viagem do tipo duas em uma. O ano era 2001, quando a tensão pré-milênio já tinha passado. Apesar de ser bastante tímido, M. se sentia relaxado e muito bem naquela noite estrelada. Tanto que, durante o longo percurso, em vez da usual introspecção, ele interagiu com o motorista e os outros passageiros. Contou e ouviu piadas. E riu, riu muito. Chegando na festa, se soltou e, nas suas palavras, “curtiu tudo melhor”.

— Foi uma coisa muito prazerosa, especial, engraçada — conta ele. — Era uma sensação realmente muito boa, de poder, de euforia, de que nada de ruim poderia me acontecer. Aquela foi a primeira noite em que M. experimentou ecstasy. Ele não diz quanto pagou pela droga naquela ocasião, mas um comprimido (ou “bala”) de ecstasy hoje custa em torno de R$ 25. Um baseado sai por R$ 2. Uma trouxinha de haxixe custa R$ 16. Um papelote de cocaína fica por, em média, R$ 14. E um comprimido de LSD vale R$ 28. Essa tabela, retrato de uma economia informal e à margem da lei, não foi extraída do caderno de anotações de um traficante, durante uma operação policial em uma favela qualquer no Rio, após a usual contabilidade de mortos e feridos de ambos os lados. Ela faz parte do mosaico de surpreendentes revelações trazidas à tona pela inédita pesquisa “O consumo de drogas na noite carioca”, feita com exclusividade pela Retrato Consultoria e Marketing para a Revista O GLOBO.

Quem forneceu essas informações, de forma espontânea, foram, em sua maioria, pessoas de até 29 anos, homens, solteiros, sem filhos, com nível superior, que trabalham ou estudam, e possuem renda familiar mensal acima de dez salários mínimos — o perfil de MRaramente ouvidas durante a elaboração das estatísticas ou na sempre acalorada discussão sobre drogas ilícitas, elas vivem numa zona morta, onde são conhecidas simplesmente como usuários. E aqueles lá na outra página são os valores que eles pagam, em média, pelas substâncias.

— A informação sobre o consumo de drogas no Brasil, além de escassa, tem sido deturpada ao longo dos anos, criando alguns mitos e também a demonização do usuário, que foi profundamente enraizada no imaginário popular — diz o psicólogo Luiz Paulo Guanabara, diretor da ONG Psicotropicus, especializada em política de drogas e na orientação sobre redução de danos. — Esses dados ajudam a quebrar a idéia de que todo usuário é sempre um doente. Não é. Doente é o viciado. Muitas vezes, o usuário trabalha, possui curso superior, paga impostos e contribui para a sociedade. E, por diversos motivos, ele raramente é ouvido. Nós precisamos combater o preconceito em torno do usuário e trazer cada vez mais informações que nos permitam lidar com essa questão de forma sensata.

A pesquisa aconteceu entre os dias 26 de junho e 4 de agosto de 2008, em casas noturnas, bares, festas, shows, restaurantes, postos de gasolina e outros pontos de concentração de pessoas na faixa etária de 15 a 40 anos. Do total de 857 entrevistados, 50% disseram não usar nenhuma das 15 substâncias utilizadas como base para o estudo. Cerca de 35% dos freqüentadores desses locais (ou seja, 300 pessoas), porém, afirmaram que são usuários assumidos de pelo menos uma das substâncias e que consumiram algum tipo de droga nos últimos seis meses anteriores à pesquisa. E 15% declararam ser ex-usuários, por não terem utilizado qualquer droga nos últimos seis meses.

— Conhecer o usuário e informá-lo sobre a real potencialidade e os riscos do consumo dessas substâncias não é demonizar as drogas ou fazer qualquer tipo de apologia, mas estender e democratizar o conhecimento existente — afirma Luciana Boiteux, professora adjunta de direito penal da Faculdade Nacional de Direito, da UFRJ. — Qualquer politica de prevenção em relação às drogas ilícitas deve ter por base a informação.

Um bom exemplo nesse sentido foi dado pela revista inglesa “Mixmag”, dedicada à música eletrônica. Entre 1999 e 2006, a publicação fez a informação sobre drogas circular entre os freqüentadores da noite com suas pesquisas anuais sobre o assunto, feitas através de questionários incluídos na revista. Desde então, a “Mixmag” parou com a sua drug survey por considerar “o assunto bem encaminhado”, segundo seu atual editor, James Mowbraw.

— Temos certeza de que contribuímos enormemente para a discussão sobre drogas no Reino Unido — conta Mowbraw. — Além de falar diretamente com o público da noite, fornecemos informações que foram consideradas úteis por diversos órgãos do governo, embora os tablóides nos acusassem de fazer apologia das drogas. Hoje, como a fonte de informações sobre o assunto cresceu muito no Reino Unido, não fazemos mais a pesquisa. Mas sempre que existe algum assunto sobre drogas que merece ser discutido, ele vai parar nas páginas da revista. Por aqui, o tema ainda está longe de ganhar o status de “bem encaminhado”. Por isso, até mesmo informações sobre drogas lícitas podem levar a alguma descoberta. Entre os usuários ouvidos na pesquisa realizada na noite do Rio, por exemplo, quase todos disseram consumir bebidas alcoólicas — cerveja em primeiro lugar (95%), seguida por ice e uísque. Dois entre três deles são fumantes também. De acordo com a médica Maria Thereza Costa de Aquino, do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de drogas, da Uerj, o consumo de álcool na noite, principalmente entre os grupos mais jovens, vive uma situação inusitada, que merece atenção.

—Temos outros estudos e relatos que mostram que boa parte dos jovens está, cada vez mais, consumindo álcool junto com energéticos, que são bebidas à base de cafeína. O resultado disso é que a pessoa é capaz de beber a noite inteira sem aparentar cansaço e boa parte dos sinais de excesso. Até então, se a pessoa bebesse muito, ela ia apagar e ter que ir ou ser levada para casa. Hoje, não. As pessoas bebem mais, mas não se sentem bêbadas porque a cafeína não deixa. Isso é preocupante porque vai mexer, em breve, com as classificações internacionais de alcoolismo e com os níveis atualmente considerados para a embriaguez.

Preocupante também é a revelação de que 85% dos entrevistados já combinaram drogas ilícitas, álcool e direção. Desses, 6% disseram já ter se envolvido em algum tipo de acidente. — Na maior parte dos acidentes de carro, o álcool é a primeira droga citada como causadora — conta Maria Thereza. — Se o álcool estiver combinado com a maconha, por exemplo, temos uma situação complicada, porque a maconha diminui os reflexos e altera a parte motora.

Já a cocaína faz com que o motorista sinta uma certa prepotência que pode levá-lo a calcular mal os riscos de uma manobra O ecstasy — cujo rebaixamento, de droga classe C (as classificadas como mais perigosas) para classe B, tem sido discutido no Reino Unido — aparece na pesquisa em segundo lugar (22,7%) entre as drogas mais consumidas nos últimos seis meses, sendo que a maior parte dos entrevistados diz utilizar a substância, no máximo, quatro vezes por mês (o que faz supor que seja uma vez em cada fim de semana). Apesar da classificação, 69% das pessoas consideram o ecstasy uma droga pesada, numa lista liderada pelo crack (79%).

— Esse resultado está em sintonia com um relatório mundial sobre drogas, publicado pela ONU há algumas semanas, que mostra o ecstasy em ascensão — conta o italiano Giovanni Quaglia, representante regional da Agência da ONU para drogas e Crime (UNODC) para o Brasil e o Cone Sul, com sede em Brasília. — Hoje, no mundo todo, o uso de drogas sintéticas já é superior ao consumo de cocaína e heroína juntos. As drogas sintéticas são relativamente fáceis de se produzir, não dependem de plantas e podem ser feitas em qualquer lugar.

Em primeiro lugar entre as mais consumidas, está a maconha (91,3%). Depois do segundo colocado — o ecstasy —, surgem a cocaína (20,7%) e o haxixe (19,3 %). Vale lembrar que boa parte dos usuários admite ter consumido mais de uma substância no período. Para 74% dos consumidores de maconha, trata-se de uma droga “leve”. Depois de uma série de ataques de pânico, associados à erva, L. tem outra opinião sobre o assunto, baseado em suas próprias experiências. — Eu estava com alguns problemas pessoais e acredito ter uma predisposição para ataques de pânico. E a partir de um certo momento, eu, que sempre fumei, comecei a me sentir extremamente desconfortável com a maconha.

Ficava cabisbaixo, introspectivo, para baixo, não sentia a sensação bacana que estava acostumado. Como não tinha médico ou alguém para me informar sobre aquilo, fui trabalhando por eliminação até chegar à maconha. Pensei: “Não posso ficar usando uma parada que não está me fazendo bem.” E aí, para a minha surpresa, eu simplesmente parei, algo que achava que nunca iria conseguir. Não sei se a maconha era a causadora dos ataques, mas certamente para mim ela potencializava tudo de ruim que estava sentindo. Há cinco anos que eu não fumo um baseado. E nunca mais tive os ataques. Continuo convivendo com os meu amigos que fumam, mas sem encostar num cigarro. Tô mais tranqüilo assim.

Na Suíça, a maconha é caso de política. No próximo dia 30, o país fará um referendo sobre a descriminalização da droga, atendendo a uma iniciativa popular, de quase 106 mil assinaturas, que conseguiu a a aprovação da consulta. Intitulada “Para uma política razoável e que proteja eficazmente os jovens”, a iniciativa prevê a descriminalização do consumo, da posse e da compra para uso pessoal. — Em geral, onde há uma discussão mais avançada em relação ao consumo de drogas, o foco está na maconha. E a Suíça é o primeiro país do mundo a levantar essa questão e levá-la diretamente à população — explica o sociólogo Rubem César, diretor -executivo da ONG Viva Rio. — A idéia é que a droga seja licenciada. Então, se você quer vender, tem que ser registrado, pagar impostos e garantir a qualidade do produto.

O referendo não deve ser aprovado por causa da onda conservadora que está acontecendo no país, mas essa discussão ter existido já é algo muito importante. Bem distante da maconha na lista das substâncias mais consumidas nos últimos meses, a lanterninha quetamina — um anestétisco, de uso veterinário, muito usado em cavalos — é considerada uma droga “pesada” por 50% dos entrevistados. Quem já experimentou, como A., entende a razão disso. — A irmã de um amigo meu era veterinária e tinha acesso ao medicamento.

Uma noite, estava numa casa noturna, com uma amiga, e resolvemos experimentar. A quetamina vem em formato de pó e eu já tinha cheirado cocaína algumas vezes. Pensando que era a mesma coisa, fiz uma carreira enorme no banheiro e mandei ver. Já saí dali cambaleando. Quando cheguei na pista, comecei a me sentir muito mal. Tonto e sentindo o corpo anestesiado, me joguei num sofá e fiquei ali, sem conseguir me mexer ou falar. Aos poucos, a onda foi passando e percebi que as pessoas ao meu redor estavam tentando falar comigo. Lembro que levantei, com a ajuda de amigos, e fui para o bar, onde me deram água e depois um refrigerante.

Como eu estava muito chapado e sem condições de dirigir, um amigo ligou para a minha casa, avisando à minha mãe que eu tinha bebido demais e ia dormir na casa dele. A partir daí, fiquei traumatizado e nunca mais usei. Quer dizer, até usei mais uma vez, só um pouquinho, pra confirmar que aquela não era uma onda legal.

O consumo entre amigos é comum para a grande maioria dos entrevistados (82,7%), sendo que 43,3% consomem com o conhecimento dos pais, uma atitude que o psicólogo Luiz Paulo Guanabara, da ONG Psicotropicus, considera “até certo ponto, elogiável”: — Embora não seja o melhor cenário, essa postura e essa tolerância por parte dos pais é compreensível porque, de certa forma, eles estão protegendo os filhos do envolvimento com bandidos ou mesmo do achaque da polícia.

De forma bastante previsível, a maioria dos pesquisados desaprova a atuação da polícia e condena a prisão como forma de punição para os usuários. Curiosamente, 68,7% dos entrevistados garantem jamais ter sofrido algum tipo de repressão por porte ou utilização de drogas.

— Na verdade, a legislação brasileira atual é considerada bastante avançada — explica Luciana Boiteux. — A lei atual, em vigor desde 2006, tem princípios importantes, que fogem bastante da linha radicalmente repressora. Ela aborda temas como direitos básicos, responsabilidade compartilhada e menciona a política de redução de danos. Embora ainda mantenha traços repressores, ela dificulta, em muitos casos, a prisão do usuário.

No entanto, 31% dos usuários entrevistados já foram pegos com drogas pela polícia. A maioria afirmou ter sido liberada após subornar o policial. Detalhe: 0,3% diz ter feito sexo com o policial para obter sua liberdade.

— Sabemos que a corrupção não é só do corrompido, já que há o interesse do corruptor também — afirma o delegado Orlando Zaccone, que já trabalhou na 16ª DP, na Barra, e atualmente é o delegado titular da 52ª DP, em Nova Iguaçu.

— O uso de drogas na noite sempre aconteceu e vai continuar acontecendo. No caso da Zona Sul, os mecanismos de defesa também continuam os mesmos, como o poder de corrupção e, em casos extremos, a possibilidade de um tratamento médico privado. De qualquer forma, acredito que a legislação atual tenha diminuído bastante os casos de prisão, já que, em linhas gerais, ela descriminaliza o usuário. Para Zaccone, que também é jornalista e foi o autor do livro “Acionistas do nada: Quem são os traficantes de drogas” (Editora Revan), o problema maior está nas comunidades carentes, onde, segundo ele, o consumo tem crescido muito.

— A lei usa critérios objetivos, mas que muitas vezes acabam se tornando subjetivos no momento da abordagem policial. E aí, muitas vezes, o garoto da favela, que foi se divertir num baile funk, com uma certa quantidade de maconha, tem mais chances de ser autuado, inclusive como traficante, do que o garoto da Zona Sul. Não há uma política pública para identificar esse tipo de consumidor. Sempre me impressiono com a falta de pesquisas sobre esses e os demais tipos de usuários de drogas ilícitas.

Em março de 2009, em Viena, na Áustria, o conselho ministerial da ONU vai se reunir para uma revisão dos dez anos da sua política contra as drogas, cujo objetivo, uma utópica sociedade “livre de drogas”, muitos consideram um fracasso, já que na maior parte dos lugares o consumo e a produção aumentaram. Por aqui, a maioria dos entrevistados considera necessário que a legislação sobre drogas no país sofra “muitas modificações” ou seja “totalmente alterada”.

— A reunião do ano que vem vai fazer primeiramente um balanço do que deu certo e do que não deu certo. Mas a convenção das drogas, em si, acho que não vai sofrer mudança alguma — reconhece Giovanni Quaglia. — Temos muito o que aprender com os países que introduziram alguma política ou algum programa que deu certo. Na ONU, evitamos posicionamentos ideológicos. Somos pragmáticos. Se alguma experiência apresenta um aspecto promissor, vamos verificar se vale realmente a pena investir nela.

Para Rubem César, a idéia de uma sociedade sem drogas é uma “fantasia”. — Aquela convenção de 1998 foi construída em cima de fantasias dos diplomatas de então, que anunciaram um mundo sem drogas em dez anos. Os dez anos se passaram e o resultados são tão ruins que praticamente dispensam avaliações. Foi um fracasso terrível — diz ele, que acompanhou recentemente, em Bogotá, a segunda reunião da Comissão Latino-Americana Sobre drogas e Democracia, criada este ano por ex-presidentes do Brasil, Colômbia e México, e cujo objetivo é elaborar um relatório alternativo capaz de influenciar a discussão em Viena. — A Comissão evoluiu, com uma rapidez maior do que se imaginava, já que atraiu diversas lideranças da América Latina, inclusive as conservadoras, em torno do consenso de que é preciso descriminalizar o consumo.

Afinal, apesar da vista grossa geral, sabemos que existe uma grande demanda no mundo todo, só que a produção está na mão dos bandidos. A lei criou um monopólio que, por ser exclusividade do crime, tem sido uma grande fonte de recursos para este Talvez ajude a entender a razão dessa “grande demanda” a revelação, feita por 76% dos entrevistados, de que as drogas proporcionam uma sensação de “prazer”, além de “tranqüilidade”, citada por 12,5 % dos pesquisados.

—Embora as campanhas educativas evitem dizer isso, por motivos compreensíveis, quase todas as drogas, em princípio, dão mesmo prazer — diz a neurologista Suzana Herculano-Houzel, professora da UFRJ e autora de vários livros sobre o funcionamento do cérebro. — Todas elas ativam no cérebro o mecanismo de recompensa e ativam os níveis de dopamina e serotonina. Mas quando esses mecanismos perdem a sensibilidade devido ao uso excessivo, cria-se o vício. É como se fosse prazer demais para o cérebro conseguir produzir sozinho.

Esses exageros estão presentes na pesquisa, relatados por quase a metade dos entrevistados (47%), que admitiram ter consumido algumas dessas substâncias “excessivamente”. — No caso da cocaína, por exemplo, o consumo excessivo cria sintomas como falta de ar e dores no peito, que podem ser confundidos com os sintomas de um infarto, só que os tratamentos são completamente diferentes — alerta Maria Thereza.

— Já tive casos de pacientes que sentiam essa descarga de energia e pensavam estar enfartando. Nesses casos, fazemos o que chamamos de reasseguramento, que é simplesmente dar carinho, proteção, conversando e fazendo com que as pessoas relaxem, diminuindo a pressão e aliviando os sintomas. R. tinha acabado de se separar do marido e, segundo ela, estava “tomando tudo”. Numa noite, durante um show, tomou uma “bala” (ecstasy) e, diferente da onda “prazerosa” relatada por M. no começo desta reportagem, mergulhou numa bad trip.

— Tomar uma bala é meio loteria. Se no meio da onda alguém fala uma coisa errada para você ou você sente uma coisa estranha, muda tudo. Como você não está com plenos poderes sobre o seu raciocínio, não consegue reverter aquela onda ruim. E aí, quando vi, estava num lugar lotado, doida e me perguntando por que tinha feito aquilo. Comecei a sentir uma enorme solidão, mesmo no meio daquela gente toda. Senti um vazio enorme. Voltei para casa e não consegui dormir de jeito algum. Não sabia para quem ligar ou o que falar. Nessas horas, você fica até com medo de ir a uma emergência porque parece que vão te julgar e dizer “tem gente esfaqueada aqui, playboyzinha, e você nesse estado”. Na verdade, tudo o que eu queria mesmo era alguém que ficasse comigo e me desse carinho e proteção
Autor: Carlos Albuquerque
OBID Fonte: Revista O Globo