Brasileiro morre mais por maus hábitos de saúde

Um terço dos óbitos é relacionado a sedentarismo, tabagismo e alcoolismo; depois vêm câncer e causas externas.

O brasileiro tem morrido menos de doenças típicas de países pobres do que no passado. O perfil da mortalidade no país, traçado no relatório Saúde Brasil 2007, divulgado ontem pelo Ministério da Saúde, indica que o que mais mata no Brasil atualmente são doenças relacionadas ao sedentarismo, tabagismo, má alimentação e alcoolismo.

No topo do ranking da mortalidade, com 32,2% do total, estão enfermidades do aparelho circulatório, como derrames, infartos, hipertensão e insuficiência cardíaca.

Em segundo lugar, com 16,7%, estão neoplasias malignas, que reúnem os diferentes tipos de câncer, seguido por causas externas (14,5%), geralmente relacionadas à violência.

— O consumo abusivo de álcool e tabaco são os principais fatores associados a doenças crônicas — apontou o diretor do Departamento de Análise de Situação de Saúde do ministério da Saúde, Otaliba Libânio.

A coordenadora de Vigilância de Doenças e Agravos NãoTransmissíveis do ministério, Deborah Malta, observa que, atualmente, quase metade dos homens brasileiros está acima do peso.

— O excesso de peso em adultos aumentou de 18,6% em 1975 para 47,3% em 2006, entre homens; e de 28,6% para 38,8% entre as mulheres — destacou.

Controle a doenças ligadas à pobreza reduziu óbitos O aumento do poder aquisitivo da população e a melhoria da condição social de parcelas da sociedade, de forma geral, têm contribuído para a diminuição de casos de doenças infecciosas, como a tuberculose.

É o que defende o coordenador do Programa Nacional de Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde, Dráurio Barreira.

— A mudança de padrão e a ascensão de doenças crônicas já são observadas há algum tempo. De 1997 a 2006, o número de mortes por tuberculose teve uma queda de 33,4%. As medidas de controle têm surtido efeito. A melhor distribuição de renda, menos pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza e as melhorias sociais são fatores que contribuem para a diminuição da mortalidade, já que a tuberculose é uma doença decorrente de problemas relacionados com a pobreza.

A tuberculose é a segunda doença infecciosa que mais mata no mundo, entre os países em desenvolvimento. No Brasil, é a quarta.

Barreira espera atingir em quatro anos a meta do milênio proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de diminuir a mortalidade por tuberculose à metade do que era em 1990.

Doenças infecciosas matavam 46% em 1930; hoje afetam 5%

A Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) diz que, em 1930, 46% das mortes nos principais centros urbanos brasileiros eram causadas por doenças infecciosas. Em 2003, essas enfermidades eram responsáveis por apenas 5% do total de mortes.

O documento Saúde Brasil 2007, atualizado anualmente, revela que 1.006.827 pessoas morreram em 2005. No ano retrasado, o Sistema Único de Saúde (SUS) financiou 11 milhões de internações.

Doenças ligadas a gravidez são 8acausa entre mulheres A mortalidade infantil vem caindo. Mas os técnicos consideram que na Região Norte o percentual ainda é elevado: em 1996 a taxa era de 15,8%, e há três anos, de 11,3%.

Doenças ligadas à gravidez ocupam a oitava causa de risco de morte entre as mulheres em idade fértil, com 2,7 falecimentos por 100 mil mulheres.

Em 2005, 413.345 pessoas morreram antes de chegar aos 60 anos, 41,2% do total de óbitos naquele ano. A causa isolada que mais matou no período foi o derrame, responsável por 90.006 óbitos (ou 10% do total).

O câncer, que há três anos fez 147.418 vítimas fatais no Brasil, também teria o sedentarismo, o tabagismo e o alcoolismo como grandes vilões.

Segundo o Ministério da Saúde, fatores externos, como os hábitos nada saudáveis, respondem por 80% a 90% dos casos, enquanto que as demais ocorrências normalmente têm origem genética.
Autor: Catarina Alencastro
OBID Fonte: O Globo – RJ