Cigarro eletrônico não ajuda a parar de fumar, diz Ministério da Saúde

O sonho de parar de fumar utilizando o cigarro eletrônico pode ser furada. A Organização Mundial de Saúde (OMS) e Ministério da Saúde não recomendam o uso do “e-cigarette” para quem deseja acabar com a dependência.

Segundo a OMS, não há provas que o cigarro eletrônico seja seguro ou ajude fumantes a abandonarem as baforadas de cigarros.

A polêmica está no fato de o fabricante chinês Golden Dragon Group não divulgar os elementos químicos presentes no e-cigarrete. Apenas informa o valor da nicotina, que é de 18 miligramas (mg) para cada cartucho, teor superior ao cigarro normal, que é de 1 mg. Além disso, nenhum teste toxicológico ou clínico foi realizado nesse produto. A empresa também não divulgou se há a presença das 4,7 mil substâncias conhecidas cientificamente em um cigarro normal

Vendido pela internet ao preço de US$ 208 (R$ 436), o cigarro eletrônico é feito em tubo metálico que contém câmara com nicotina líquida. Os cartuchos são recarregáveis por bateria. Cada um é suficiente para total de 350 tragadas. Sem acendê-lo, inala-se apenas um vapor sem cheiro, emitido pelo aparelho, que imita a fumaça de um cigarro comum.

Especialista

Médico cardiologista, Frederico de Morais Ribeiro diz que o tabagismo mata mais a cada ano que álcool, cocaína e crack e que cada cigarro industrializado contém substâncias químicas, como acetona terebentina (tinta óleo), naftalina (desinfetante para pisos, azulejos e privada) e formol.

Para o especialista, mais correto é utilizar tratamentos recomendados pela OMS, que são as terapias com reposição de nicotina (goma de mascar e adesivos) e uso de antidepressivos que diminuem os efeitos colaterais da abstinência como, por exemplo, vômitos, ansiedade e dor de cabeça.

Para a diretora da Divisão de Doenças Crônico-degenerativas da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, Katia Regina, cigarro eletrônico não passa de engano, porque, primeiramente, o produto mantém o mesmo comportamento de um fumante. “Isso é condenável para quem faz um tratamento sério, pois não muda um costume social.” Kátia também questiona a quantidade de nicotina no cartucho – equivalente a 20 cigarros. “Como um produto que vende a idéia de parar de fumar pode conter doses maiores que o convencional?”

Dados da OMS afirmam que existem 1,4 bilhão de fumantes em todo o mundo. No Brasil, segundo as estatísticas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), são estimados 200 mil óbitos anuais relacionados ao fumo e 33% da população adulta é fumante – 16,7 milhões de homens e 11,2 milhões de mulheres. A concentração de fumantes é maior nas capitais de regiões mais industrializadas.
Autor: Seção Cidades
OBID Fonte: Diário da Manhã – GO