Mortes entre 20 e 59 anos chega a 32% no Brasil

O percentual de brasileiros que morrem na fase mais ativa de suas vidas, dos 20 aos 59 anos, chega a 32,2% da população nesta faixa etária. Este índice é considerado alto pelo Ministério da Saúde. A informação faz parte do boletim sobre perfil das mortes no país divulgado na última semana.

Segundo o boletim, em 2005 ocorreram 323.531 óbitos prematuros. A região com maior incidência de morte entre 20 e 59 anos foi o Centro-Oeste. O Ministério da Saúde registrou que 41,7% da população nesta faixa etária morreram prematuramente. Em seguida estão Norte, com 39,3%, e Sudeste, 39,2%. O Nordeste e o Sul empataram com 36,3% das ocorrências fatais.

Motivos

Para o diretor do Departamento de Análise de Situação de Saúde do ministério, Otaliba Libânio, os números, divulgados mostram que o Brasil tem perdido muita gente por motivos que poderiam ser evitáveis, já que a violência urbana e o trânsito vitimam principalmente adultos desta idade.

Os diferentes tipos de câncer, que ocupam o segundo lugar geral no “ranking” da mortalidade no Brasil, não atingem com tanta freqüência esta fatia da população.

– A gente espera que as pessoas morram depois dos 60. Isso significa que tem muita gente morrendo de causas evitáveis, principalmente causas violentas e as doenças cardiovasculares – avalia.

O número de brasileiros e brasileiras que morreram após os 60 anos, apesar de ter atingido 52,4% do total de óbitos em 2005, ainda é considerado baixo, diz Libânio. Ele observa que países em desenvolvimento próximos ao Brasil, como o Chile e a Argentina, apresentam índices melhores que o brasileiro. No índice geral, doenças crônicas ligadas ao sedentarismo, tabagismo e alcoolismo ficaram em primeiro lugar na causa de morte, enquanto as causas violentas ocuparam a terceira posição.

Os homicídios ocorreram com maior intensidade entre os jovens de 20 a 29 anos. Segundo o relatório do Ministério da Saúde, foram 57,8 casos para cada 100 mil habitantes. Dos 40 aos 49 anos, a incidência também foi alta: 25,5 a cada 100 mil.

Acidentes lotam emergências

Em 2005, os adultos de 20 a 59 anos responderam pela maioria dos atendimentos nas emergências dos hospitais, em conseqüência de acidentes de trânsito. Foram 69,3% dos 10.348 casos.

— O Brasil ainda tem alta taxa de morte prematura. Isso acontece principalmente pela alta incidência de doenças crônicas e a violência — diz Otaliba Libânio, do Ministério da Saúde.

Mas os falecimentos na terceira idade cresceram em todas as regiões no período de 1996 a 2005. No Centro-Oeste, houve o maior registro na expectativa de vida. Em 1996, 45,3% das mortes ocorriam na terceira idade. Em 2005, esta porcentagem passou para 52,2%, um aumento de 15,2% no período. O Norte registrou um aumento de 11,8%, o Nordeste, de 8,1%, o Sudeste, de 13,5% e o Sul, de 8,1%.

A mudança indica que a população brasileira caminha rapidamente para o perfil demográfico registrado em países da Europa, acredita Libânio.

— A proporção de idosos está aumentando e a de crianças menores de 1 ano, diminuindo. Além disso, houve uma ampliação da urbanização e do acesso a saneamento, alimentação e serviços de saúde, o que tem gerado aumento da expectativa de vida do brasileiro — aponta, completando que o número de nascimentos caiu.
Autor: Catarina Alencastro
OBID Fonte: A Gazeta – ES