Pesquisa explica dependência em droga

Uma pesquisa desenvolvida em conjunto por pesquisadores da Europa, com ratos de laboratório, e também com consumidores de cocaína em São Paulo, analisados por cientistas brasileiros, encontrou relação entre gene CaMK4 e a dependência em cocaína. A descoberta foi publicada na revista norte-americana “Proceedings of the National Academy of Sciences”, na última semana.

Os pesquisadores descobriram uma proteína que diminui a resistência à droga e aumenta a dependência. Por isso, afirmam que a dependência pode ser causada por disfunção genética. De acordo com o estudo, o gene CaMK4 é o responsável por controlar a resposta da cocaína no organismo. Sem ele, os circuitos cerebrais ficam mais vulneráveis e a cocaína tem impacto maior e efeitos mais longos.

A conclusão partiu da experiência feita na Alemanha, que testou os efeitos da cocaína em camundongos normais e geneticamente modificados (sem o gene CaMK4). Os cientistas constataram que os animais sem o CaMk4 ficaram mais dependentes.

No Brasil, os testes foram feitos com humanos, envolvendo dois grupos de pessoas (dependentes e não dependentes em cocaína). Através de análise de DNA foram descobertas três variações do gene na versão humana, o que tornou possível concluir que os indivíduos que apresentaram variante do CaMK4 tinham 47% mais chances de se tornar dependente.

O estudo foi coordenado pelos cientistas Jan Rodríguez Parkitna (espanhol), Rainer Spanagel e Gunter Schutz (alemães), do Centro Alemão de Investigação de Câncer de Heildelberg, e contou com a colaboração do Imabis (Málaga, Espanha), do Instituto de Psiquiatria do King’s College (Londres), e da Universidade Federal de São Paulo
Autor: Editoria Geral
OBID Fonte: Folha de Londrina – PR