Motoristas enfrentam agora o teste da saliva

Em tempos de Lei Seca, uma parceria envolvendo o Instituto Médico-Legal (IML), Fundação de Amparo à Pesquisa no Rio de Janeiro (Faperj) e a Fundação Oswaldo Cruz vai transformar num obstáculo para motoristas que dirigem alcoolizados ou sob a influência de outras nove drogas a saliva do infrator. O projeto, que deve entrar em prática ainda este ano, inclui a formação de duas equipes que farão blitzes com o auxílio de peritos habilitados para testes clínicos em motoristas, usando kits para detectar álcool e drogas na saliva.

De acordo com o diretor do IML, Jefferson José de Oliveira da Silva, o teste de álcool na saliva, que apresenta o resultado na hora, tem como vantagem sob os bafômetros o fato de ter tendência menor de produzir os chamados “falsos positivos”. “Detecta diretamente o produto da metabolização do álcool no corpo. No caso do etilômetro, o equipamento pode dar positivo para diabéticos, pessoas em jejum ou quem está de ressaca”, explica Jefferson.

Outros testes

O projeto inclui outro teste que aponta a presença de maconha, cocaína, ecstasy e outras drogas no organismo. “A prova vai ser produzida por perito, que antes submeterá o motorista a teste clínico. A proposta é fazer um exame de embriaguez, e não teste de álcool”, comenta Jefferson.

Financiados pela Secretaria de Segurança e pela Faperj, os testes de saliva já estão sendo importados e foram aprovados pela Anvisa. Parceria com bombeiros está nos planos do IML, para coletar sangue de acidentados, que vai ajudar a definir quais acidentes foram causados por motoristas alcoolizados.

Duas viaturas estão sendo equipadas e terão clínico e toxicologista, além do motorista e de auxiliar. “Mesmo em unidades móveis, a análise toxicológica será de padrão internacional”, diz Jefferson. Uma das equipes deve ficar na Região Metropolitana e a outra, no interior do estado.

O projeto prevê painel com 280 voluntários que farão testes de alcoolemia com etilômetros, kits de saliva e exames de sangue. O objetivo é comparar métodos e aperfeiçoar a metodologia de testes clínicos para observar motoristas embriagados sem bafômetro ou teste de saliva.
Autor: Seção Rio
OBID Fonte: O Dia Online