Médicos debatem lei seca

O número de acidentes provocados pelo uso de álcool e volante volta a engrossar o atendimento na maior unidade do estado, especializada no atendimento ao trauma, o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS). Nos primeiros meses de vigor da Lei Seca, houve redução de 15% no socorro às vítimas do trânsito, seguido, segundo o gerente de Informação do HPS, João Batista Rodrigues Júnior, de um retrocesso, com um novo crescimento dos índices, chegando a 50 acidentados por dia. Os dados foram apresentados ontem na 2ª Jornada de Medicina do Tráfego da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra).

O evento termina hoje na sede do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG), no Centro da capital. “Percebemos que houve um recuo quanto ao respeito à lei e à ingestão de álcool ao volante. É preciso que a fiscalização continue tão firme quanto na época em que a legislação entrou em vigor. Além de o álcool alterar os sentidos e atrapalhar os motoristas, o consumo de bebidas alcoólicas está relacionado aos índices de violência e suicídio”, conta João Batista.

Segundo o coordenador de operações do Departamento de Trânsito de Minas Gerais, Márcio Lobato, a tendência é de que a fiscalização fique cada vez mais intensa com a chegada de mais de 160 bafômetros ao estado. De 19 de julho a 25 de novembro, foram 572 ocorrências de embriaguez. O Instituto Médico-Legal emitiu resultado de 426 exames, sendo 314 positivos e 112 negativos. Dos testes feitos nos etilômetros, 116 foram positivos e 43, negativos.

O comandante do Batalhão de Eventos da Polícia Militar, tenente-coronel Antônio Carvalho, avisa que os motoristas serão muito fiscalizados no fim de ano. “Muitas pessoas fazem uma via-sacra e passam em várias casas para com emorar o Natal e ano novo. Acham que podem beber em todos os locais, mas não têm consciência de quanto isso vai alterar a sua conduta. É preciso de uma mudança de consciência”, afirma.

O encontro que reúne especialistas de todo o país também vai promover hoje discussões técnicas, como a perícia judicial. Segundo o diretor da Ammetra, Alberto Sabbag, a especialidade medicina do tráfego capacita médicos para o socorro dos acidentados, no cuidado pré-hospitalar, além de trabalhos na prevenção, como o de profissionais que fazem exames médicos nos candidatos a carteira de motorista. “Os exames médicos para obtenção e renovação da carteira é uma forma de evitar que pessoas sem condições físicas e psicológicas sejam motoristas. É, portanto, uma forma de prevenção. Quando o candidato é aprovado no exame médico para habilitação, não estamos autorizando que ele dirija bêbado, porque isso altera completamente os seus sentidos no volante”, afirma Sabbag.
Autor: Luciana Melo
OBID Fonte: Estado de Minas-MG