Integrantes do Mulheres da Paz temem trabalhos com traficantes de drogas

O governo federal começou a mobilizar nesta quinta-feira um exército de moradoras de favelas do Rio que, por R$ 190 mensais, terão a missão de retirar crianças e jovens do tráfico de drogas nos morros cariocas. Elas integram o projeto Mulheres da Paz, lançado na manhã de hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Complexo do Alemão (zona norte do Rio).

Participantes do projeto ouvidas pela Folha Online contaram que estão apreensivas com a missão e, apesar de oficialmente começarem a trabalhar nesta quinta-feira, ainda não receberam nenhuma orientação sobre funções que terão que fazer, como a abordagem dos traficantes.

Elas farão um curso de capacitação neste sábado (6), segundo o Ministério da Justiça, responsável pelo projeto, que é parte do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania).

“Estou um pouco preocupada, porque é muita responsabilidade conversar com eles sobre isso. Até eles entenderem o que realmente a gente quer, vai ser bem difícil. Tem que ter muita calma. Só Deus mesmo para ajudar”, disse a desempregada Rosana Oliveira, 44, moradora de Manguinhos (zona norte), uma das favelas que terão o projeto.

O governo federal disse ter contratado, no total, 2.550 mulheres para o projeto. A elas, foi incumbida a função de, em oito horas semanais, coagir jovens de suas comunidades que estejam envolvidos com o tráfico de drogas a deixar a criminalidade.

“Vai ser difícil mesmo, porque eles conversam sobre tudo, mas, quando falamos para eles mudarem de vida, têm muita resistência, mudam de assunto, não gostam”, afirmou a desempregada Cátia Regina da Silva, 33, uma das contratadas para o projeto.

O secretário executivo do Pronasci, Ronaldo Teixeira, negou que haja risco para as participantes do projeto. Ele afirmou que, inicialmente, as Mulheres da Paz terão o acompanhamento de policiais comunitários que atuarão como mediadores de conflitos dentro de favelas cariocas.

“Isso tudo foi muito estudado. Claro que há sempre variáveis que não planejamos, mas não estamos pensando na segurança pública com uso da força”, declarou.

A proximidade e o parentesco de muitas delas com jovens envolvidos no tráfico, no entanto, deve facilitar o trabalho, para Maria Cristina Oliveira, 45, participante do Mulheres da Paz no Complexo do Alemão. “A maioria é de mães, irmãs, tias, então eles já nos conhecem. Estamos dentro da comunidade, e isso facilita”.
Autor: EFE
OBID Fonte: EFE