Amnésia alcoólica não é papo de bêbado

O excesso de bebida e o alto teor alcoólico do drinque escolhido podem provocar amnésia temporária. E acreditem, isso não é desculpa de quem bebeu demais, passou vexame e prefere nem se lembrar do que fez. O problema, normalmente, acomete pessoas com o hábito de beber muito e com bastante freqüência. O blackout alcoólico se caracteriza pelo esquecimento de fatos – podendo ser parcial ou total – quando ficam embriagadas, porém sem perder a consciência.

Sob o efeito do álcool, a pessoa tem a capacidade de manter uma conversa e executar outros atos normalmente, mas quando fica sóbria não consegue se recordar dos acontecimentos. Isso ocorre porque o álcool atua diretamente no Sistema Nervoso Central (SNC) e “apaga” definitivamente informações da memória, normalmente o esquecimento é sobre os fatos ocorridos durante a embriaguez. Quanto maior o teor alcoólico da bebida, maior a chance do blackout. Por isso, as bebidas destiladas são consideradas as principais vilãs. O neurocirurgião e neurologista Bruno Regis Prado Silveira acrescenta que o álcool provoca uma espécie de anestesia no SNC, levando ao esquecimento.

Blackouts são observados principalmente em alcoólatras crônicos, mas podem ocorrer em pessoas que bebem esporadicamente, mas abusaram do álcool em algum momento. A situação tem maior chance de ocorrer quando existe a ingestão de grande quantidade de bebida rapidamente, especialmente se estiver muito cansada ou com fome.

O especialista destaca que consumir álcool em jejum aumenta a chance do esquecimento temporário. Mulheres, jovens e idosos também são os mais afetados devido as condições físicas. Quem faz uso de medicamentos controlados também são mais suscetíveis.

Nas mulheres, a incidência é maior por questões hormonais, capacidade orgânica de diluir e metabolizar o álcool, além dos altos riscos de desenvolverem problemas no fígado, pâncreas e pressão alta. Os jovens têm o organismo mais frágil e em desenvolvimento, devendo evitar a intoxicação alcoólica. Já os idosos apresentam mais problemas de esquecimento durante a embriaguez devido a fragilidade do organismo e mudança do metabolismo. A faixa-etária tem ainda como agravante o possível uso de medicamentos.

Silveira explica que com o tempo e a freqüente ingestão do álcool, o esquecimento temporário pode evoluir para a Síndrome de Korsakoff. Nesse caso, a amnésia deixa de ser somente sobre fatos durante a bebedeira e o paciente passa a não lembrar de coisas do passado e compromissos futuros. Ao parar de beber, a doença estagna, mas o paciente não recupera o que já foi perdido.
Autor: Seção Viva Bem
OBID Fonte: A Gazeta – ES