Festividades: uma influência contextual sobre o consumo de álcool.

O uso nocivo de álcool entre jovens é apontado como um dos problemas mais preocupantes dessa faixa etária à medida que pode acarretar uma série de conseqüências negativas, entre elas, o prejuízo do rendimento acadêmico, conflito com amigos, relações sexuais não-planejadas e de risco, dirigir sob a influência de álcool, entre outros prejuízos gerais à saúde. Nesse sentido, tem sido importante definir os fatores e circunstâncias que influenciem esse tipo de consumo pelos jovens.

Assim, com o intuito de avaliar a influência de eventos comemorativos sobre o uso nocivo de álcool, foi realizada uma pesquisa em Virgínia, EUA, entre jovens, para testar a hipótese de que fariam maior consumo de álcool durante as datas festivas de Halloween e Dia de São Patrício, duas comemorações nacionalmente reconhecidas.

Nos anos de 2002, 2003 e 2005, jovens de faixa etária entre 18 e 27 anos de idade, que transitavam por áreas da região central da cidade, foram convidados para participar dessa pesquisa e tiveram sua alcoolemia (concentração de álcool no sangue) determinada através do uso de “bafômetro”. Na primeira metade do estudo foi considerada a alcoolemia no dia de Halloween. Assim, os jovens, preferentemente universitários, foram abordados durante cinco noites de quinta-feira consecutivas, sendo a quarta noite a comemoração festiva propriamente dita. Nessa ocasião, não houve diferença de alcoolemia entre as noites avaliadas, mas quando a presença de fantasia foi considerada, os jovens fantasiados tiveram alcoolemia superior àqueles trajados correntemente (0,89 versus 0,58 g/l, respectivamente), especialmente se haviam se esforçado à criação da fantasia.

Na segunda metade da pesquisa considerou-se a alcoolemia na noite festiva de São Patrício, comparada a duas outras noites de quinta-feira em semanas seguintes. Além disso, os participantes foram questionados se estavam celebrando algo naquela noite (comemoração do Dia de São Patrício, aniversário, término de projetos escolares, entre outros) para efeitos de comparação com os que não estavam comemorando.. No Dia de São Patrício, ocorrido em uma quinta-feira, não houve diferença de consumo para dias correspondentes de semanas não-comemorativas, o que poderia ser diferente se a data ocorresse em uma segunda-feira, por exemplo. Já os jovens que estavam comemorando situações especiais atingiram níveis significativamente maiores de alcoolemia (0,96g/l) do que aqueles que não tinham motivos para celebrar (0,74g/l).

Assim, em linhas gerais, o estudo sugere que jovens (especialmente universitários) que consomem álcool com um motivo de celebração atingem maiores níveis de alcoolemia (e possivelmente embriaguez) que jovens que não estejam comemorando, aumentando seu risco individual às conseqüências dele decorrentes, inclusive dirigir embriagado. Dessa forma, sugere-se que devam ser desenvolvidas estratégias que promovam formas alternativas de comemoração entre os jovens, evitando o consumo nocivo de álcool, assim como de outras drogas.

Título: Celebratory Drinking and Intoxication: A Contextual Influence on Alcohol Consumption.

Autores: Glindemann K.E., Wiegand D.M., Geller E.S.

Fonte: Environment and Behavior, 39(3): 352-66, 2007

IF: 0,795
Fonte:CISA – Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool