Aumento de mortalidade entre mulheres que beberam durante a gravidez


É consenso na literatura científica que o consumo de álcool por gestantes pode causar efeitos deletérios ao feto que se desenvolve, em especial a Síndrome Alcoólica Fetal – FAS. Há relatos de que uma parcela das mulheres, que dão à luz a filhos com Síndrome Alcoólica Fetal, falece antes que o filho atinja a maioridade. Ainda, sabe-se que o consumo de álcool esteja relacionado ao aumento da taxa de mortalidade, entre homens e mulheres, seja pelo desenvolvimento de doenças ou por causas externas como acidentes de trânsito, violência interpessoal, quedas e acidentes em geral.

O estudo teve o propósito de investigar o impacto do consumo de álcool, durante a gestação, sobre a saúde geral da mãe, e sobre a taxa de mortalidade de mulheres que ingerem álcool nesse período. Para isso, foram coletadas informações de 570 mulheres que buscaram por atendimento pré-natal em uma clínica de Atlanta, EUA. Destas, 196 não consumiram álcool durante a gravidez, 110 beberam durante o primeiro trimestre e depois largaram o consumo e as 264 restantes beberam durante todo o período gestacional.

Após 20 anos de seguimento do estudo, 3,6% das mães que não beberam haviam falecido, assim como 12,7% das mulheres que beberam e pararam e 12,5% das que continuaram bebendo durante a gravidez. Ou seja, as mulheres que beberam durante a gestação, se houvessem parado ou se continuaram a consumi-lo, foram significativamente mais prováveis de terem falecido antes do seguimento da pesquisa. Em geral, essa taxa de mortalidade foi superior à constatada para a população geral de mulheres de mesma faixa etária.

Além disso, condições de saúde do bebê, como baixo peso corpóreo e dismorfia (más formações anatômicas relacionadas ao consumo de álcool) despontaram como importantes preditores do aumento da taxa de mortalidade entre essas mulheres, por possíveis deficiências de metabolismo de álcool pelo organismo materno, influência que, na verdade, parece ser mediada pelo consumo de álcool e tabaco pela mãe.

Assim, conforme os autores, além de corroborar com dados previamente publicados, o presente artigo aponta que não é apenas o estado de saúde do bebê que é afetado pelo consumo de álcool durante a gestação, mas também a própria mãe, que pode chegar a óbito precocemente.

Título: Increased mortality among women who drank alcohol during pregnancy

Autores: John Peder Berg, Mary Ellen Lynch, Claire D. Coles

Fonte: Alcohol, 42: 603-10, 2008

IF.: 2,14
Fonte:CISA – Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool