Rede de cooperação para recuperar dependentes

Entidades envolvidas em trabalhos de recuperação de dependentes químicos e de álcool em Rio Pardo e Pantano Grande e os integrantes do sistema de Justiça vão formar uma rede de integração para melhorar a visualização do fluxo de atendimento prestado ao usuário e ao grupo familiar. A medida busca trazer soluções eficientes diante dos problemas com o crescimento dos casos, com destaque para o crack, por parte de crianças, adolescentes e adultos, o que impõe maior troca de informações entre os componentes dos envolvidos na recuperação.

O termo de compromisso de integração operacional foi assinado na última segunda-feira por promotores de Justiça, juízes de Direito da Comarca de Rio Pardo, representantes da Defensoria Pública, do Centro de Apoio e Recuperação de Toxicômanos e Alcoólatras (conhecida como Fazenda Esperança), da Irmandade de Caridade do Senhor Bom Jesus dos Passos, da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), e os prefeitos das duas cidades. A 13ª Coordenadoria Regional da Saúde, por ter remetido o documento para análise do setor jurídico, não assinou, apesar do convite.

Os integrantes da rede se comprometem a primar pela troca de informações. A medida é conseqüência de inquérito civil instaurado em 16 de outubro de 2008. A promotora Christine Mendes Ribeiro Grehs afirma que há uma verdadeira “torre de Babel” de procedimentos quando o assunto se relaciona a dependente químico, apoio familiar, serviços ambulatoriais, terapêuticos, hospitalares e o sistema de Justiça.

A decisão de formar a rede de cooperação surgiu diante da constatação obtida por profissionais técnicos, ouvidos durante a tramitação do inquérito civil, de que, em muitos casos, o grupo familiar busca a internação do dependente químico sem que seja recomendável essa medida. Outro ponto que ficou evidente é o equivocado entendimento da população em geral de que é o Judiciário que decide se é caso ou não de internação hospitalar.

Pelo acordo, fica estabelecido que a porta de entrada da rede será o Centro de Atendimento Psicossocial (Caps 1) e o Centro de Atendimento Psicossocial Infantil (Capsi II) em Rio Pardo e as unidades básicas de saúde em Rio Pardo e Pantano Grande. A promotora Christine Grehs ressalta que “a questão das drogas é um problema de saúde e não da Justiça”. Explica que diante da epidemia, em se tratando do crack, estava no momento de haver a união, e os primeiros frutos estão sendo colhidos já com a discussão da minuta do termo de cooperação.
Autor: Otto Tesche
OBID Fonte: Correio do Povo – RS