Lei Seca flagrou 2.499 motoristas

Menos mortes no trânsito e mais motoristas flagrados bêbados ao volante. O balanço comparativo entre junho e dezembro de 2007 e igual período de 2008 feito pelo Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) revela uma redução de 19,6% na quantidade de acidentes fatais e de 18,3% no número de mortes. Além disso, houve um aumento de mais de 100% de aumento no número de autuações de condutores dirigindo alcoolizados. Para se ter uma idéia, enquanto em 2007 foram 1.008 motoristas notificados por beber e dirigir, no ano passado o número saltou para 2.499.

Reflexos da lei

Em relação a acidentes e mortes, o estudo analisou as estatísticas entre junho e dezembro dos últimos dois anos e mostrou os reflexos da implementação da Lei 11.705/08, mais conhecida como Lei Seca, que entrou em vigor em junho passado e proibiu a ingestão de qualquer quantidade de bebida alcoólica por condutores de veículos. Durante esse período, 506 pessoas perderam as carteiras de habilitação por conta da mistura perigosa de álcool e direção. Dos 1.612 motoristas flagrados bêbados depois da Lei Seca, 733 foram autuados em delegacias e terão que responder criminalmente pela infração.

De acordo com o diretor-geral do Detran-DF, coronel Jair Tedeschi, três fatores, além da nova lei, foram responsáveis pela melhoria nos índices: o aumento da fiscalização, as campanhas educativas de trânsito e a influência dos veículos de comunicação que alertaram sobre a mudança no Código Brasileiro de Trânsito e estimularam a conscientização da população.

Abordagens

“Durante o ano de 2008 abordamos 756 mil veículos, do total de um milhão que existem no DF. Isso significa que 80% da frota foi fiscalizada. Também investimos R$ 43 milhões em campanhas educativas”, aponta Tedeschi.

O professor de Engenharia de Tráfego da Universidade de Brasília (UnB) Paulo César Marques avalia que a alteração da legislação exigiu atitudes mais firmes da fiscalização, que agora já consegue penalizar os motoristas que dirigem embriagados. “O que ocorreu foi um aumento no número de autuações, mas é muito provável que também tenha havido uma redução na quantidade de pessoas que dirigem depois de beber porque têm medo de serem apanhadas”, reflete o professor.

Para ele, o ponto mais positivo da Lei Seca foi a mudança de atitude dos motoristas em relação ao consumo de bebidas alcoólicas. “Percebemos que já existe a consciência de deixar o carro em casa quando se sai para beber”, observa Marques. O professor diz que a Lei Seca já é uma realidade para os motoristas do DF. “A nova legislação já pegou e agora não se pode deixar aparecer o sentimento de impunidade com redução na fiscalização”, adverte.

Convivência pacífica

Outro destaque que chama a atenção no balanço do Detran é a redução de quase 50% no número de acidentes com motos, que passou de 15 por mês em 2007 para apenas oito por mês no ano passado. Para Tedeschi, a redução nas estatísticas é reflexo da campanha educativa feita com apoio do sindicato dos motociclistas, dos cursos de direção defensiva oferecidos a motociclistas e da distribuição de três mil coletes refletivos que aumentam a visibilidade desses condutores no trânsito.

Segundo o diretor, também houve redução significativa no número de acidentes com ciclistas graças a uma parceria firmada com a Organização Não-Governamental Rodas da Paz. “Queremos estimular a convivência pacífica no trânsito e o governo já investe na construção de ciclovias e ciclofaixas”, lembrou. Para o professor da UnB Paulo César Marques, as campanhas de trânsito são fundamentais para corrigir sérios problemas dos motoristas do DF, entre eles, o excesso de velocidade e o desrespeito aos ciclistas e motociclistas.

O diretor do Detran deixou ainda um recado importante: os motoristas que se preparem e redobrem a atenção nas vias. Isso porque os órgãos de trânsito do País já estudam um aumento de 65% no valor total das multas. Partindo do pressuposto que a educação e o respeito às leis ocorrem com mais vigor quando pesam no bolso do cidadão, Tedeschi afirma que é preciso corrigir os valores, que não são reajustados desde 2002.
Autor: Seção Notícias
OBID Fonte: Jornal de Brasília – DF