Avanço no consumo de crack preocupa e necessita de políticas públicas mais eficazes, diz deputada

Uma droga barata, com alto poder de dependência e efeitos devastadores sobre a saúde. Assim é o crack, um subproduto da cocaína que se espalha com velocidade pelas cidades brasileiras.

Pesquisa da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, a Senad, indica que, em 2005, menos de um por cento da população relatou ter consumido crack pelo menos uma vez nos últimos 12 meses.

Mas a deputada Marina Magessi, do PPS fluminense, afirma que a droga já lidera a venda em várias favelas do Rio de Janeiro. Vice-presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, a parlamentar, que é policial civil, se diz preocupada com o avanço do consumo, e critica as políticas públicas que privilegiam a repressão.

“Nunca vi uma política pública que funcione, só repressão, só polícia, polícia, polícia. E não tem como conter esse tipo de usuário. O crack é uma droga devastadora, que vicia imediatamente até quem não tem predisposição. O crack deixa quaquer um fora de controle, totalmente. Quase todos esses crimes aqui do Rio, tirando os crimes passionais, acho que todos são pra comprar droga, tanto roubo de carro, assaltos a transeuntes, é tudo devido à droga. Antes era cocaína, agora vai ficar muito pior que é o crack. E você não tem nada, a única coisa que se faz é reprimir, ir para o morro, é polícia, mais ninguém, prevenção não tem nenhuma, é só a polícia”.

Secretário Nacional de Políticas sobre Drogas, o General Paulo Roberto Uchôa defende que o uso das forças policiais é a melhor estratégia para reduzir a oferta de substância ilícitas. Mas, no campo da demanda, ele concorda que o caminho deve ser o da prevenção e tratamento, com ações articuladas entre vários setores e níveis de governo e da sociedade.

“A droga está em todos os setores, ela não é um problema de saúde. A droga não é um problema de educação, ela é também um problema de educação, não é um problema de direito humanos, é também, e assim por diante, porque ela está inserida em todos os setores. Então, se você quiser fazer um compartimento estanque só para drogas, você não vai conseguir, porque qualquer política sobre drogas tem que estar integrada com a área da educação, da saúde, da justiça, da assistência social e assim por diante”.

O General explica que é função da Senad articular esses diversos atores, dentro das diretrizes estabelecidas pela Política Nacional sobre Drogas. Ele conta que, em parceria com o Ministério da Educação, a Secretaria já capacitou 25 mil educadores em todo o país, número que deve ser novamente alcançado neste ano.

O trabalho também foi desenvolvido com o Sesi Nacional, com 30 mil conselheiros municipais e, agora, a capacitação ocorre com agentes de saúde. O objetivo é que essas pessoas saibam identificar o problema e possam encaminhar os dependentes a serviços especializados.

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Autor: Mônica Montenegro
OBID Fonte: Rádio Câmara