A saúde agradece

Cai o número de fumantes. Campanhas educacionais e restrições à propaganda deixam o tabagismo fora de moda no Brasil.

O número de brasileiros fumantes está em queda. Uma pesquisa da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) aponta que, entre os anos de 2003 e 2007, o número de fumantes caiu de 20% para 16% do total da população. O levantamento, que foi produzido pelo Ministério da Saúde, ainda revela que os homens têm maior facilidade para deixar o vício: 25,8% deles conseguiram, contra 18,6% das mulheres.

Para a diretora da organização não-governamental Aliança de Controle do Tabagismo (ACT), Paula Johns, a pesquisa não deve servir de parâmetro para mensurar o total de fumantes no País em razão da metodologia adotada. Ainda assim, ela garante que é inegável o fato de que a população de fumantes está decrescendo. “Trata-se de uma pesquisa feita por telefone e restrita apenas a capitais, mas os indícios apontam que a redução dos consumidores de cigarro ocorre desde o final da década de 90”, aponta.

Medidas

Na opinião da diretora, a queda do número de fumantes se deve a um conjunto de medidas que está sendo adoto na última década. “São medidas comprovadamente eficazes no mundo inteiro, como a restrição da propaganda, as imagens de advertência publicadas no maço e o crescimento dos ambientes livres de fumo. Hoje, também a população está mais bem informada”, ressalta.

Paula avalia que as políticas antitabagistas devem agora ser direcionadas para a população mais jovem, com o objetivo de prevenir a iniciação ao fumo. “O preço do cigarro no Brasil ainda é um dos mais baratos do mundo e as baladas também permitem o consumo no ambiente. São dois fatores que influenciam na iniciação de muitos jovens”, afirma.

Mas tem gente na contramão

Se as campanhas antitabagistas estão cada vez mais acintosas, os fumantes ainda resistem bravamente. Pelo menos essa é a afirmação do vendedor Alexandre Perluize, de 23 anos, e que fuma há 5 anos. “Não acho que tenha crescido tanto o preconceito contra fumantes. Mas é preciso um bom senso, já que ninguém é obrigado a respirar a fumaça alheia”, diz.

O administrador Fábio Guimarães, de 30 anos de idade sendo 14 como fumante, também procura não prestar muita atenção nas advertências que às vezes lhe são direcionadas ao acender um cigarro. “Não dou muita bola para esse tipo de coisa. Mas sempre procuro respeitar o ambiente em que estou antes de fumar”, atesta.

Já o analista financeiro Rodinei Colombo, de 27 anos, até tentou parar com o cigarro por um período, mas acabou voltando ao vício. “Eu fumo porque gosto mesmo, independente de todas as restrições existentes. Voltei para aliviar o estresse”, aponta.

A estudante Carolina Romariz, de 21 anos, fuma desde os 14 e durante todo esse tempo aguenta a pressão da família para deixar o cigarro de lado. “Hoje em dia é difícil poder fumar. Todo mundo reclama.”

O lado dos que não fumam se divide entre os que deixaram o vício e os que nunca fumaram. Nos dois casos, é comum haver uma certa aversão ao cigarro. A arquiteta Ana Luiza Saraiva é filha de pais fumantes, mas desde cedo não gosta do cheiro do cigarro. “Já experimentei e não gostei. Até não me incomodo tanto. Reclamo mesmo quando fumam perto dos meus filhos”, assegura.

Já a jornalista Fabiana Freitas parou de fumar desde novembro do ano passado e vem lutando para resistir à tentação de um pouco de nicotina. Desde então, teve apenas uma recaída que não lhe fez bem e ajudou a desistir do fumo em definitivo. “Acho que minha saúde melhorou bastante. Tenho até mais fôlego hoje em dia”, conta. Depois de mais de 10 anos como fumante, ela avalia que nos últimos tempos estava ficando mais difícil sustentar o vício. “O ato de fumar perdeu o status bacana que tinha. Hoje tem muita discriminação. Em muitos lugares é proibido e a gente tem que passar vontade.”
Autor: Renan Magalhães
OBID Fonte: Diário do Povo – Campinas