ONU defende uso controlado de drogas em tratamentos médicos

A agência de entorpecentes da ONU (Organização das Nações Unidas) defendeu o uso controlado de medicamentos baseados em narcóticos, como a morfina e a codeína, para aliviar o sofrimento de pacientes.

Em estudo que deve ser divulgado nesta quinta-feira, a Organização Internacional de Controle de Entorpecentes lamenta que o acesso a estes medicamentos seja “quase nulo em mais de 150 países”, e defende seu uso como “uma prioridade de saúde pública”.

O sofrimento de dezenas de milhões de pacientes poderia ser minimizado, destaca por seu lado a OMS (Organização Mundial de Saúde), também ligada à ONU.

A pesquisa mostra que os países que não usam estes medicamentos temem criar dependência entre os pacientes, além de ter dificuldades administrativas ou sofrer com a falta de capacitação de pessoal médico.
Em relação ao consumo ilícito de drogas, o organismo de controle da ONU adverte para a grande difusão do uso da maconha, que está em primeiro lugar entre os entorpecentes utilizados no planeta, especialmente na Europa.

Maconha

Segundo o organismo, os traficantes estão criando “espécies mais fortes, com índices de THC –o tetraidrocanabinol–, o princípio ativo da maconha, muito mais elevados que os encontrados na maconha produzida nos anos 80”.

Pesquisa divulgada em 2008 mostrou que a potencialidade da maconha nos Estados Unidos atingiu o nível mais alto em mais de 30 anos. Para os pesquisadores, da Universidade do Mississippi, essa alta aumenta os riscos para a saúde dos usuários.

As análises indicam que o percentual médio do THC (tetraidrocanabinol), o princípio ativo da maconha, foi de 9,6% na droga em 2007, contra 8,75% no ano anterior. O índice de 9,6% representa mais que o dobro da potencialidade da maconha em 1983, quando o índice era de 4%.

O estudos foram feitos com base em amostras recolhidas entre 1975 e 2007. O governo dos EUA atribui o aumento nesses níveis a técnicas sofisticadas de cultivo que produtores estão utilizando em campos dos Estados Unidos e Canadá.
Autor: Editoria Ciência e Saúde
OBID Fonte: Folha Online