Coquetéis de droga mortais

UNODC alerta para falta de dados internacionais sobre adulterações de entorpecentes sintéticos

21 de janeiro de 2009 – Aproveitar a noite em boates hoje virou sinônimo de álcool – ou drogas -, em bebedeiras e farras onde drogas como o ecstasy, a metanfetamina e a anfetamina são as mais consumidas pelos clubbers. Atualmente, o uso de drogas sintéticas supera o consumo conjunto de heroína e cocaína. Mas as pessoas sabem o que estão usando? Problemas sérios podem surgir quando usuários misturam drogas que têm efeitos diferentes ou quando tomam drogas misturadas (ou “batizadas”) com outras substâncias.

O caso do ecstasy é um exemplo. Na Europa, a droga é geralmente pura, mas no sul e no leste da Ásia e em outras partes do mundo costuma ser adulterada com metanfetamina ou outras drogas.
Quando as pessoas usam o ecstasy, esperam sentir determinados efeitos. O problema é que quando essas reações não acontecem, os usuários decidem tomar outro comprimido justamente quando o primeiro pode estar começando a fazer efeito. “Pessoas já morreram em conseqüência disso”, diz Jeremy Douglas, especialista do UNODC. “No mundo todo, são registrados casos de overdoses e reações problemáticas.”

Há duas razões para misturar drogas sintéticas. A primeira é o lucro. Segundo Douglas, “no leste da Ásia, o ecstasy é mais difícil de ser encontrado do que na Europa e os traficantes precisam importar a droga. Os narcotraficantes podem ganhar mais vendendo ecstasy misturado, que praticamente dobra o lucro.” O segundo motivo é a oferta. “Se a demanda por ecstasy for maior do que a oferta, os traficantes irão adicionar algo à droga e vendê-la como ecstasy.”

Embora a tendência de adulteração de drogas sintéticas esteja crescendo, ainda falta uma estratégia internacional de combate. Douglas destaca a importância de mais vigilância. “Precisamos que mais informações forenses sejam coletadas e compartilhadas pelos países para que possamos saber quais combinações de drogas estão sendo produzidas e traficadas, e acabam chegando ao mercado.”

Parte do problema é que não há números específicos sobre drogas sintéticas, embora estejam presente em quase todo o mundo. Além disso, muitos países não possuem capacidade ou recursos para testar os entorpecentes e obter dados.
Para ajudar países vulneráveis a obterem dados mais precisos, o UNODC lançou o “Global Synthetics Monitoring: Analyses, Reporting and Trends (SMART) Programme” (Monitoramento Global de Sintéticos: Programa de Análises, Relatórios e Tendências), que pretende remediar a falta de informações internacionais sobre estimulantes como a anfetamina e outras drogas sintéticas. A publicação deve orientar os países a aumentarem a capacidade de agregar, analisar e distribuir informações sobre drogas sintéticas, seu consumo e rotas de tráfico.
Fonte:UNODC – Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime