Instituto do Câncer quer fim do cigarro com sabor

Pesquisa inédita realizada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) alerta que a maioria dos consumidores de cigarros no Brasil é jovem e que, daqueles que fumam regularmente, 44% já utilizaram cigarros com sabores, ou flavorizados, 5% deles habitualmente – situação que levou o órgão a passar a defender a proibição desses cigarros no país.

“Os jovens têm uma ideia, vendida por meio da propaganda, de que o cigarro de menta, de cravo, é mais natural.

Existem hoje países, como os Estados Unidos, que estão no processo de proibir. O estudo do Inca chegou à mesma conclusão”, disse ao Estado a coordenadora do Programa Nacional de Controle do Tabagismo do Ministério da Saúde/Inca, Tânia Cavalcante. No início do mês, uma comissão da Câmara dos Deputados norte-americana deu parecer favorável a uma lei que proíbe a comercialização de cigarros flavorizados. A medida deve ser votada em plenário neste ano e tem o apoio dos democratas e do presidente Barack Obama.

No Brasil, a prevalência de fumantes na população caiu de 34,2%, em 1989, para 22,4% em 2003. Mas, segundo o novo trabalho do Inca, dos 23 milhões de fumantes brasileiros, apenas 7 milhões têm mais de 30 anos.

O estudo cita ainda uma pesquisa global aplicada em 13 mil estudantes entre 13 e 15 anos, de 170 escolas públicas e privadas de 10 capitais brasileiras, que indicou que 11,7% deles fumam regularmente. Ao analisar as razões que levaram o adolescente a escolher sua marca de cigarro, 52% dos que fumam os flavorizados apontaram o sabor como principal motivo. As pesquisadoras do instituto Valeska Figueiredo, Letícia Casado e Ana Lúcia Mendonça apresentaram o estudo na 14ª Conferência Mundial em Tabaco, no início deste mês, na Índia.
Autor: Editoria Brasil
OBID Fonte: Hoje em Dia