Em Ribeirão Preto, a cada 4 pessoas, 1 é fumante

Um em cada quatro ribeirão-pretanos acima de 18 anos é fumante, segundo pesquisa inédita do Datafolha, que foi encomendada pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, com patrocínio da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

O índice de 26% está muito acima da média nacional de 18,8%, segundo levantamento do Inca (Instituto Nacional de Câncer) e do Ministério da Saúde. Apesar de alto, o percentual em Ribeirão é menor que o registrado mundialmente: a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que um terço da população mundial adulta fume.

Os dados foram fornecidos à Folha pelo coordenador da Unidade de Hipertensão da Divisão de Cardiologia do Hospital das Clínicas (HC), Fernando Nobre. A pesquisa completa será disponibilizada após publicação em revista científica internacional, prevista para o final deste semestre. A margem de erro da pesquisa é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos.

Segundo os dados coletados, cada fumante de Ribeirão consome em média 17 cigarros por dia. O coordenador de cerimonial José Henrique de Oliveira e Silva, 46, que fuma desde os 18 anos, está acima dessa média. Ele fuma 30 cigarros por dia e disse que só parou por 15 dias enquanto fazia um tratamento contra hipertensão.

“Mas não fiquei doente por causa do cigarro. Meu avô fumou a vida toda e morreu com mais de 80 anos”, afirmou.

O levantamento mostrou que 97% dos entrevistados sabem que o tabagismo causa doenças cardiovasculares.

De acordo com o coordenador do programa de tabagismo do HC, Clésio Souza Soares, em geral, a vida do fumante divide-se em três momentos.

Na primeira fase, chamada de pré-contemplação, ele não considera parar. Na fase de contemplação, ele quer e sabe que precisa parar, mas ainda não consegue atingir o objetivo. Apenas em uma terceira fase, a fase de ação, o fumante decide que deve parar.

“A maior dificuldade é a crise de abstinência. Parando de fumar o paciente começa a ter irritação, nervosismo, falta de concentração, mal estar e sintomas de dependência química”, disse Soares.

O tratamento para se livrar do cigarro não é barato. O paciente tem a opção de se tratar com adesivos com nicotina, que devem ser usados por 12 semanas e demandam gasto de R$ 40 por semana, ou pode optar pelo tratamento com medicamento antidepressivo por oito semanas, ao custo aproximado de R$ 180. De acordo com Soares, somente 10% das pessoas conseguem parar sem ajuda médica.

O corretor de imóveis Edgar Rossi, 54, começou a fumar quando tinha 11 anos. Em 2000, conseguiu parar por três meses. Devido a sintomas de abstinência, voltou a fumar. “É uma droga, quando a gente para fica irritado, não consegue se concentrar. Eu fumo um maço por dia e sempre ando com dois, para não correr o risco de ficar sem cigarro”, disse.

O HC encomendou a pesquisa para verificar o conhecimento da população sobre a gravidade das doenças. O resultado apontou que a maioria desconhece a gravidade do diabetes, do derrame e da hipertensão. Apenas 20% dos entrevistados sabiam que as doenças cardíacas são a principal causa de morte no Brasil.

Dos entrevistados, 31% não souberam indicar qual o valor normal da pressão arterial (12 x 8) e só 4% foi capaz de dizer que o principal sintoma de obesidade é a medida da cintura.
Autor: Bruna Saniele
OBID Fonte: Folha de São Paulo