Idoso deve ser motivado a deixar de fumar

Ações contra o tabagismo precisam ser pensadas não só para jovens, mas também para idosos. É é o que defende a fisioterapeuta Eliane Freitas, professora da Universidade Norte do Paraná (Unopar). A opinião tem por base informações relevantes – segundo pesquisa coordenada pela docente, no último ano, em Londrina, 51% dos 344 entrevistados com idade acima dos 60 anos são fumantes ou ex-fumantes. E mais: 42% afirmam, em uma segunda pesquisa que avaliou 502 idosos, que nunca foram motivados a parar de fumar.

Para Eliane, é preciso se preocupar com a qualidade de vida dessa população que tende a crescer em todo o mundo e com o custo dos tratamentos de saúde para as doenças decorrentes do tabagismo. “Hoje, a expectativa de vida gira em torno dos 71 anos. Em 2025, ela deverá ser de 75 anos. Segundo dados do IBGE, em 2025 serão 34 milhões de brasileiros acima dos 60 anos”.

Fumar é fator de risco para dezenas de doenças – entre elas câncer, principalmente de pulmão e laringe, enfizema pulmonar, hipertensão, doenças cardíacas e acidente vascular cerebral (AVC). No idoso, ressalta a fisioterapeuta, o tabagismo também é fator agravante para incapacidades e doenças relacionadas ao envelhecimento. “O cigarro não só provoca, mas piora as doenças. Quem tem diabetes e fuma, por exemplo, tem a patologia agravada”, afirma.

Na primeira das duas pesquisas coordenadas por Eliane, os números apontam que 93% dos fumantes haviam passado por consulta médica por conta de problemas de saúde, nos últimos 12 meses, contra 58% dos que nunca fumaram. As hospitalizações também foram maiores – em um ano, 36% dos fumantes haviam sido hospitalizados, contra 10% entre aqueles que não fumavam. “O uso do serviço de saúde entre os fumantes é muito maior, e eles mesmos se referiram uma saúde ruim. Entre os fumantes, 67% disse ter saúde ruim, e entre os que nunca fumaram 58% referiu boa saúde”, informa.

No idoso, aponta a pesquisadora, a dificuldade de parar de fumar é maior por causa do tempo de uso e do nível de dependência da nicotina. Números da segunda pesquisa mostram que, em média, os idosos de hoje começaram a fumar aos 16 anos e permaneciam fumando, em média, 52 anos. São, em média, 16 cigarros por dia.

A professora quer agora detalhar ainda mais o perfil do idoso tabagista avaliando capacidade funcional, função respiratória e força muscular respiratória, além das motivações e dos fatores associados ao hábito de fumar. Nesse novo estudo serão ouvidos e avaliados 500 idosos selecionados nas unidades básicas de saúde (UBS) do município.

As pesquisas coordenadas por Eliane e feitas por alunos do curso de Fisioterapia da Unopar, fazem parte, segundo ela, de um estudo maior da instituição sobre o perfil do idoso em Londrina. “Além da Fisioterapia, estão envolvidos todos os cursos de saúde, Odontologia, Fonoaudiologia, Farmácia, Educação Física e Enfermagem. O objetivo é ser referência no atendimento ao idoso e para isso traçar o perfil desse público para desenvolver trabalhos nessa faixa etária”, afirma.
Autor: Chiara Papali
OBID Fonte: Folha de Londrina